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De quem era aquela mão?

Ano de 2000. 23 de outubro. Reta final do segundo turno das eleições municipais. Disputa importante em Curitiba. Luiz Alberto Ferla, meu namorado na época, foi convidado a deslocar-se até Curitiba para dar apoio ao candidato Cássio Taniguchi.

 

Pela manhã,  Ferla me dava uma carona até o Centro para pegar meu ônibus rumo à Univali, onde eu cursava Direito. Namorávamos há quase 2 anos. No sinaleiro do bairro Córrego Grande, uma chuva fina cobria a cidade, e eu, que sempre fui muito intuitiva, fiquei com receio da pista molhada. Um receio estranho, sem motivo.

 

Ferla e mais dois amigos iriam para Curitiba no meio da tarde. A chuva fina continuava.

 

No dia seguinte, na Faculdade, comentei com minha amiga Babi:

- Não sei por que, mas estou com uma saudade do Ferla. Estranho porque nos vimos ontem.

 

Babi, sempre muito bem humorada (não sei se ela se lembra da cena) disse:

- Ih tá apaixonadinha ainda é?

 

Bom. Terminada a aula, fui pro trabalho, na Assembléia. Toca meu celular, um número estranho de Curitiba. Era ele:

- Oi, tudo bem? Como foi a prova? (eu tinha uma prova importante naquela manhã).

- Tudo bem….

Em seguida ele me disse que havia perdido o celular porque tinha acontecido um pequeno acidente (meu coração já foi acelerando…), que o carro tinha saído da estrada, que todos estavam bem. Ele estava no hospital aguardando os amigos (hospital??? Como assim?).

 

Bom, ele conseguiu me enrolar. Em seguida me liga um amigo, irmão do rapaz que estava com ele e me relata todo o “pequeno acidente”. Na descida da Serra, sentido Joinville- Curitiba, pista molhada, o carro aquaplanou, ele perdeu o controle, bateu na mureta de proteção. O carro literalmente voou e caiu na represa a uma profundidade de 16 metros. Foi ao fundo. Uma altura comparada a um prédio de 4 andares.

 

Em detalhes, depois, soube que os amigos saíram do carro, nadaram até a beira da represa e ele – Ferla – nada. Apareceu minutos depois. Ficou trancado no cinto e até hoje não entende direito como saiu de lá. Ouvi-lo contando a história é arrepiante.  Ele diz que sentiu uma pressão nas costas o impulsionando para frente, que era o único lugar por onde ele poderia sair. A pressão talvez tenha sido “uma mão”. Por coincidência, ou não, a mãe dele, hoje minha sogra, reza todos os dias um terço para o anjo da guarda de todos os filhos (e agora das noras e netos), no mesmo horário (18h).

O acidente ocorreu mais ou menos às 18h15. A primeira dezena do terço é pro filho mais velho. Como Ferla é o segundo, provavelmente nesta hora, ela estava na dezena correspondente ao anjo da guarda dele. De quem seria esta mão que o impulsionou? Alguém tem dúvida?
 

Quando o carro foi tirado da represa, o bombeiro disse que muitos acidentes ocorrem naquele trecho e que em alguns anos que ele trabalhava naquela área, foi o primeiro acidente em que todos sobreviveram.

 

Só sei que enquanto não o vi descendo do avião aqui em Floripa, tocá-lo, abraçá-lo e ter a certeza de que estava tudo bem, meu coração não sossegou. Como sofri de agonia enquanto ele não chegou.

 

Esse episódio foi muito marcante pra mim. E muito mais ainda pra ele. Ele que em 2 anos tinha se mostrado uma pessoa especial, digna de admiração em todos os aspectos, tornou-se ainda mais especial pelo que absorveu da situação.

 

Hoje, dia em que esse episódio completa 8 anos, só posso agradecer a Deus por ter permitido este milagre.  Por ter deixado essa pessoa tão especial, esse ser humano maravilhoso aqui com a gente. Por ter permitido que ele se tornasse meu marido e pai do Lipe e do João Guilherme. Obrigado Deus. Como o Senhor foi e é bom comigo!

 

Abaixo segue um vídeo que achei apropriado para o tema e o dia de hoje.

 


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