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Mãe não brinca!

Meu menino maior adora brincar, como toda criança, claro!

Sua brincadeira favorita é de ‘faz de conta’. Estórias com o personagem Ben 10 são as preferidas. E sua grande parceira nas aventuras é a Leli.

Todos os dias ele acorda super cedo, entre 6h e 7h e fica à espera dela, que chega às 8h. E, geralmente, ele comenta: ‘como a Leli tá demorando hoje né?’

De bola ele não brinca. De bicicleta também não. Curte a casa e o jardim e não gosta muito de ir no parquinho à toa. A menos que tenha certeza que vá encontrar algum amigo.

Assim, suas manhãs são de um faz de conta total com Ben 10 e sua família (que no desenho não aparece, mas nas estórias do Lipe sim) vão ao parque, ao circo, a aniversários, ao cinema, passeiam de carro  e outras modalidades.

O Lipe não gosta de domingos e feriados. Isso porque a Leli não ‘vem brincar’ nesses dias. Então, quem assume a parceria nas brincadeiras é o Papí.

Domingo passado, o Papí estava cansado das viagens da semana. Esgotado de tanto ir e vir de avião. E como o Lipe acorda cedo e se o pai está em casa vai direto acordá-lo, domingo não foi diferente.

No meio da manhã, quando o pequeno Gui dormiu, sugeri ao Papí que fosse descansar um pouco. Disse ao Lipe que brincaria com ele enquanto o Papí descansava. Ele não gostou nada. Ficou chateado.

Então eu falei:
- querido, eu brinco com você!
- não! você não!
- mas por que? podemos brincar de dinossauros, Ben 10, monstros vs alienígenas, do que você quiser!
- não! mas não pode!
- mas por que não pode, Lipe? Eu posso inventar coisas bem legais!
- não pode porque você é mãe! E mãe não brinca!
- ah é? mãe não brinca? Por que?
- por que quem brinca é criança com o pai ou com a babá. Com a mãe criança não brinca.
- ah! mesmo? e mãe faz o que então?
- mãe cuida e faz comidinhas.
- ah bom! entendi então.

E assim, ele brincou sozinho e eu fiquei apenas olhando. Mas claro que pedi autorização. Perguntei se ao menos podia olhar ele brincar. Imediatamente respondeu:
- olhar pode. Mas brincar não, eu já disse.

Então tá né? Fiquei só cuidando. A comidinha fiz mais tarde…

Espetáculo de menino

Ontem aconteceu o espetáculo anual da escola do Lipe. A escola trabalha com projetos/temas. Há meses a turma do Lipe vem estudando o começo do universo e, especificamente, os dinossauros.

Ele está fascinado com as descobertas sobre os dinos. Sabe qual é o maior dinossauro carnívoro, quais são herbívoros, os nomes de vários, qual é perigoso, qual é bonzinho. No dia das crianças foi o tema preferido para presentes. Agora tem vários bichos desses aqui em casa. Até eu já aprendi alguns nomes.

No espetáculo de ontem ele dançou com um Tricerátopo – um dinossauro com chifres, parente distante do rinoceronte – que eles mesmos confeccionaram na escola.

E, novamente, estávamos nós lá na platéia, babando, emocionados com a performance do nosso “pequeno artista”. Um show! Ele estava lindo de camiseta branca, cabelos um pouco compridos, seguro e muito feliz.

Eu sei que quando falo que ele é lindo pode parecer exagero ou coisa de mãe, mas é sério, ele é lindo! Tão fofo e querido que já tem até fãs-mirins…

Hoje, quando fui buscá-lo na escola, me contou que ganhou presentes da Duda: um chaveiro do Ben 10, figurinhas e um pirulito em formato de boca. Na embalagem do pirulito estava escrito: meu sonho é seu beijo!

Fazer o que, ele é um espetáculo de menino mesmo!

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Independência ou mãe!

Nada mais virtuoso para uma mãe saber que cria seus filhos para o mundo.

Eles nascem, precisam da gente o tempo todo, o que nos proporciona satisfação e cansaço. Crescem, vão ficando independentes e correm para o mundo.

Muitas mães padecem de sofrimento à medida que seus filhos vão se tornando independentes. Deixam de se sentir insubstituíveis, necessárias, únicas.

É difícil não se sentir assim, mas também é sábio, é sadio, é da vida. O contrário só faz mal ao filho e à mãe.

Com dois filhos, sempre soube que passaria por isso em dose dupla. Me preparo a cada dia um pouquinho para um dia deixar de ser tão importante, relevante, necessária.

Porém, começou cedo demais essa história toda. Ontem, ao levar o Lipe na escola – relembro que ele tem 4 anos (pra mim, apenas 4 anos!) – ele me diz:
- Mamí, que tal amanhã você ficar no carro e eu entro sozinho na escola?

Pega de surpresa…
- Mas amanhã? Por que?
- Porque eu quero ir sozinho, já sou grande.
- Claro! Muito grande. Vou achar muito legal! (ã???)

Fiquei pensando nisso durante o dia e à noite. Lembrei dos primeiros dias que fui levá-lo na escola, a fase de adaptação, o choro de abandono, o meu de sofrimento. Depois, o retorno das férias, quando ele nem chorou e quem desabou fui eu. E, ontem, a primeira declaração de independência.

Eis que hoje, na hora de ir pra escola, perguntei se realmente ele iria sozinho do portão:
- Sim, Mamí! Você fica no carro e eu vou sozinho com a minha mochila.
- Tá bom.

Paramos na frente da escola e eu fui saindo para pegar a mochila que estava no banco da frente. Ao me ver abrindo a porta, ele diz:
- Mamíiii, por que você está saindo do carro?
- Pra pegar a sua mochila. Você não quer mesmo que eu vá?
- Não, Mamí, já falei. Eu vou sozinho com a minha mochila.
- Então tá. Dá um beijo e vai com Deus.

Nossa, olha o drama! Parece que o menino ia viajar! Tudo bem, eu sei, pode ser exagero, mas não é a distância que conta aqui, é a simbologia do “não preciso de você”. 

Fiquei olhando do carro. Ele passou pelo portão, estufou o peito, foi andando com passinhos firmes, balançando os bracinhos e, pior (ou melhor!), nem se dignou a olhar pra trás!

Meu peito apertado ficou contemplando seus passos rumo à autonomia, à confiança. É pra isso que a gente cria os filhos (mas, precisava ser assim tão cedo?)

Rainha do lar

Dizem que quando se é minoria feminina numa casa existem duas alternativas para a “dona da casa”: ser a empregada ou a rainha do lar.

Aqui em casa são 3 homens e eu de mulher. Por enquanto só conheço o posto de Rainha do Lar. E quem tem delimitado este meu papel é o Lipe.

Claro que uma criança repete os exemplos que têm, principalmente dentro de casa, mas ele é um galanteador, vive fazendo elogios. E sorte a minha que sou seu alvo predileto.

Conto três cenas recentes que escolhi para registro:

1) Como o Lipe não gosta de cheiros desagradáveis, principalmente quando precisa usar o banheiro, comprei no supermercado aqueles sachês que grudam na parede com uma colinha e ao apertar neutralizam o odor e deixam um cheirinho agradável.
Ele adorou, principalmente, apertar o ‘negocinho’.
Em uma das vezes em que estava junto com ele no banheiro e o cheiro não estava agradável, ele rapidamente apertou o sachê, esperou o cheirinho bom se instalar e disse:
- Que bom esse cheirinho! Boa idéia você teve quando comprou isso, hein Mamí?  Você é muito “esperta” para fazer compras!

2) Na cozinha, me vendo bater no liquidificador uma sopinha de abóbora para o jantar, Lipe me pergunta:
- O que é isso? Suco de laranja quente?
- Não, é sopa de abóbora bem delícia pra jantar.
- Hummmm! Você é “mesmo muito boa” pra fazer comidinhas, hein Mamí!

3) No dia da festa dele, arrumei ele primeiro e depois fui me arrumar no meu quarto. Ele quis ficar junto conosco. Sentou-se na poltrona e ficou observando eu me maquiar.
- O que você está fazendo?
- Maquiagem para ir na sua festa.
Ele quis acompanhar, ficou observando cada movimento meu e disse:
- Quando você terminar eu quero ver.
- Combinado!
Ao terminar, me abaixei perto dele e perguntei:
- E daí? gostou?
Ele olhou bem para cada detalhe dos meus olhos, passou a mãozinha pelo  meu rosto e disse:
- Mamí, você tá bonita! Parece uma “mulher”!

É uma figura!

Essas pequenas estorias me fazem ter a certeza de que estou no caminho certo quando todas as noites, após ditar regras e colocar limites durante o dia, faço questão de dizer-lhe o quanto é um filho querido e amado e o quanto somos felizes por tê-lo conosco.

Se uma criança cresce com elogios e reconhecimento, aprende a apreciar e elogiar. Se cresce com limites, aprende a respeitar. Uma criança só aprende aquilo que vivencia.

Cheirosa

Frio intenso. Além de ficarmos encolhidos, lábios ressecados, vontade de não sair de casa, o frio faz as crianças ficarem doentes.

O Pequeno Gui está com uma laringite desde domingo. Segunda pela manhã levei ao médico. Está fazendo inalação, tomando xarope e fazendo fisioterapia pulmonar para soltar a secreção. Dá mais trabalho, mas evita-se o uso de medicamentos fortes, como antibióticos. Prefiro esta conduta, que o médico dele segue muito bem.

Bom, resultado disso é uma noite super mal dormida. Desde ontem ele tosse muito, chega a vomitar de tanta força que faz para tossir. Sente-se inseguro e quer meu colo. Fica aconchegado, gruda no meu cabelo, agarradinho com toda a força para que ninguém o tire da quentura da mãe.

A noite passada ele acordou de hora em hora. Queria colo, aconchego. Dormi no quarto dele para “facilitar” as idas e vindas. Exausta de tanto ‘não dormir’, ainda dei remédio e fiz inalação pela madrugada adentro, sem falar nas mamadas. Eis que às 4h da manhã acorda o outro – Lipe: “Mamíiiiiiiiiiiii, onde vc está???”

Com o Papí viajando, um no colo, falei pra ele:
- Tô aqui no quarto do Gui, volta pra cama que eu já vou.
- Não!  Quero uma ‘deda colorida’ (o leitinho!).

Lá fui eu. Deixei o pequeno no berço, fiz a mamadeira, dei pra ele, deitei um pouco junto, mas nada do danado dormir. Voltei pro quarto do pequeno e disse: “fica aí que tá muito frio! eu já volto.”

Dois minutos depois: – Mamíiiii, vem aqui.
- Já vou menino!

Ele não esperou e foi pro quarto do Pequeno. Deitou na cama que eu estava dormindo e ficou ali com os olhos abertos até o irmãozinho dormir.  E disse: “Ele já dormiu, agora vamos pra minha cama, né?”

Lá fomos nós. Deitei ao lado dele e falei: “Meu amor, a Mamí está muito cansada, vamos dormir logo agora, tá?”
- Tá bom.

Dois minutos depois: “Mamí?”
- Que foi, Lipe??
- Meu nariz tá trancado!

Levantei eu pela enésima vez, peguei o remédio e coloquei no nariz dele. Deitei novamente e não aguentava mais de tanto sono e cansaço, torci para que nenhum dos dois fizesse nenhum barulho. Olhei no relógio e já eram 5h15. Meu Deus! O dia amanhecendo e eu não dormi nada. Meu corpo tava pesado. A cabeça nem virava pro lado. Lipe se mexeu, grudou em mim, e mais uma vez: “Mamí???”

Quando eu ia quase chorar de desespero pensando que ele queria mais alguma coisa que eu tivesse que levantar, respondi:
- O que foi agora Lipe?
- É que você está cheirosa, Mamí!

Cadê o cansaço? O sono? A exaustão? Foi tudo embora, foram substituídos pela satisfação, pelo amor, pela ternura de ouvir isso desse filho querido, amado e galanteador. Se ele quisesse, eu levantaria aquela hora e faria o bolo de cenoura que ele tanto gosta. Podia pedir qualquer coisa aquela hora que eu faria pra ele, mas não. Ele só se encostou um pouquinho mais em mim e dormiu, feito um anjo que é. Não fiz na madrugada, mas acabei de tirar do forno o bolo favorito dele.

Niver

Era pra ter escrito ontem, mas o clima baiano me deixou preguiçosa. Talvez a preguiça por aqui seja contagiante.

Estamos passando uns dias de férias em família na Bahia. As primeiras férias da família com 4 integrantes.

Ontem foi o niver do Papí. Trouxemos presentes na mala e encomendamos um bolo para o parabéns no café da manhã, com direito à vela do “Ben 10″ .

É fácil e ao mesmo tempo difícil falar dele. Tem tantas qualidades, tantas virtudes que os defeitos ficam minúsculos, quase imperceptíveis. E tenho certeza que isso não é coisa de mulher apaixonada. Vejo muitas pessoas o admirando. Aliás, se fosse escolher um sentimento para esta data seria admiração.

Além de amor – que é o sentimento maior que nos une, tenho uma admiração imensurável pelo Ferla. Ele sempre foi um namorado exemplar, um marido maravilhoso e como pai então, é indescritível o carinho, o cuidado, a dedicação que tem pelos meninos. Somos muito sortudos, nós três – eu, Lipe e o Pequeno Gui.

Sem falar no filho, irmão, empresário, cidadão e amigo que observo no dia-a-dia. Sempre preocupado com o bem estar daqueles que o rodeiam e que ama.

Só posso agradecer todos os dias ao bom Deus por ter colocado este homem fantástico na minha vida e por comemorar mais um ano ao seu lado, junto com o Lipe e agora com mais um ‘filhotinho’.

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O tempo passa…

Como dizia uma propaganda da televisão: “o tempo passa… o tempo voa…”

Hoje foi o primeiro dia de aula do ano de 2009 do Lipe. Lembro dos anos anteriores. Da fase de adaptação do primeiro ano, como ele chorou ao separar-se da Mamí nos primeiros dias. E do ano passado, que quem acabou saindo da escola aos prantos fui eu, quando, ao chegar na sala e encontrar os amiguinhos, virou-se para mim e para o Papí e, simplesmente, deu tchau com a mãozinha.

Este ano, fui levá-lo agora há pouco e parecia realmente um “menino grande” como ele mesmo se define. De uniforme, crocs amarelo, mochila e relógio do ‘Ben 10′, entrou pelo portão com uma segurança invejável.

Ao chegar na sala, os amigos vieram recebê-lo e daí ele já “se achou o cara”. Olhou pra mim como quem diz “pode ir!”. Me deu um beijo e tchau.

E voltei eu pra casa, que esta tarde está mais silenciosa. Um silêncio que só é quebrado com alguns resmungos do ‘Pequeno Gui’ quando é hora de mamar. E, então, constato que a história se repete e daqui a algum tempo estarei revivendo estes momentos com outro personagem.

Até porque… o tempo passa, o tempo voa…escola

Saudade dói

Criança tem cada uma… frase conhecida né?

Pois é, aqui em casa tenho uma que, aos 8 meses, quando o Ferla teve que ficar alguns dias fora a trabalho, adoeceu. Febre e vômito eram os sintomas.

Lembro que o levei no pediatra – Tio Cecim, que também foi meu pediatra – e, ao examiná-lo, perguntou: está tudo bem em casa? Falei que sim e questionei o porquê da pergunta. Ele me disse que parecia que o Lipe tinha somatizado algo, que os sintomas eram emocionais. Pensei: será? Bom, como Tio Cecim tem mais de 30 anos de pediatria e confio muito nele, acreditei na hipótese. Perguntou-me em seguida onde estava o Ferla. Disse-lhe que estava viajando havia dois dias. Ele prontamente falou: então está aí o problema: saudade do pai. E me contou sobre casos de crianças que ele atende que chegam a ter convulsões de febre alta quando sentem falta do pai ou da mãe.

Pois então. Passou o tempo e, como o Papí viaja sempre a trabalho, quase todos os meses Lipe tinha febre de 39, 40 graus por falta dele. Dizia-me o pediatra que, possivelmente, com o tempo passaria e ele se acostumaria. Porém, o Lipe sempre se mostrou uma criança muito sensível. Na escola,  em casa, se algo não vai bem, ele somatiza, fica triste e sofre. Com ele sofro eu. Talvez umas 10 vezes mais. Minha vontade é de arrancar-lhe o sofrimento com as mãos. Mas não posso, preciso entendê-lo e ajudá-lo a externalizar.

Semana passada, o Papí foi fazer um curso em São Paulo. Viajou no domingo. Na terça-feira, veio o primeiro sinal. Uma crise de choro sem motivo e uma leve agressividade  comigo. Em alguém ele precisava descontar. Chegou a me dizer – algo que me provocou risadas – que iria embora: “vou arrumar minhas coisas e ir embora dessa casa porque você está me incomodando”. Mas, ao menos evoluiu ao dizer declaradamente em seguida que estava com saudades do Papí, que ele estava demorando a voltar de São Paulo. Imaginem meu sofrimento ao vê-lo chorando, sabendo que ainda ia demorar mais 3 dias para o “remédio” dele chegar.

Na quinta-feira, o ponto alto da saudade: vômito.  Por volta de 18h30 ele não aguentou e colocou tudo pra fora, ficou muito mal pelo que sentiu e pelo que não queria sentir. Dizia várias vezes que “não queria ter feito isso, Mamí, não quero fazer isso mais”. Muita calma nesta hora! Não basta ser mãe, tem que ser forte!

Um banho pra acalmar, pijama, cama e pronto. Dormiu. Lá pelas 22h, novamente, mais reação. Meu Deus! E agora? O menino estava branco, pálido, olhos caídos. Liguei pro Tio Cecim que me perguntou quais eram os sintomas. Somente vômito e chateação. A pergunta do outro lado:
- Cadê o pai? 
- Em São Paulo, respondi.
- Então, já sabemos o que é. Deixe-o em paz, se não quer comer, não force, deite com ele, dê carinho e espere passar. Assim fiz.

Deixei o Ferla a par de tudo e, é claro, também sofria de lá. Se pudesse se “teleportava” pra casa.

Passou bem a noite. No dia seguinte levei-o pessoalmente para o pediatra examinar, mas a conclusão era a mesma: saudade. Receitou-lhe apenas o pai de volta e umas gotinhas de floral.

Na sexta, Ferla voltou e, apesar de chegar tarde, foi ao quarto dele para dizer-lhe que estava de volta, foi o que lhe prometeu ao telefone antes. De início, uma leve revolta, mas no dia seguinte, já estava tudo bem e nada mais o afligia.

Agora, enquanto escrevo este post, estão os dois na praia, curtindo uma manhã de sol e se curtindo. Matando a saudade. Esse é o preço de se ter um pai presente, que mesmo, vez ou outra, ausente pelas viagens, não se ausenta das nossas vidas. Esse é o preço por ser sensível. Esse é o preço por se amar.

Saudade dói, disso o Lipe bem sabe, mas deve doer mais ainda não tê-la de ninguém. Pode ser contraditório, mas feliz dele que pode sentir essa saudade ao máximo.

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Nasceu João Guilherme

Então, demorei, mas aqui estou…

Estávamos em casa na bela noite de lua cheia de sexta passada e após colocar o Lipe para dormir, jantamos tranquilamente e fui deitar. Eis que ouvi um “ploc” meio abafado e uma fisgada, mas de tanto sentir contrações nos últimos dias, fiquei apenas com o pressentimento de que algo poderia acontecer naquela noite e peguei no sono. Lá pelas 22h acordei para ir ao banheiro e percebi algo estranho… a bolsa se rompeu, tal qual quando o Lipe nasceu.

Ligamos pra médica e ela mandou ir pra maternidade até a meia-noite. Lá vamos nós então organizar as coisas. E agora? E o Lipe? O que mais me afligia desde que engravidei era que esse momento acontecesse à noite ou no meio da noite e eu tivesse que “abandoná-lo”. Cheguei a ter crises de choro alguns dias antes só de pensar em ficar 2 dias longe dele. Parece bobagem, alguns dirão, mas ele dorme de mão comigo todas as noites, e como ia ser quando eu não estivesse? Isso me angustiava. Bom, mas surpreendentemente, ele compreendeu tudo e aceitou ficar na casa da vó enquanto eu estivesse no hospital. Incrível esse menino!

Chegamos na maternidade perto da meia-noite e eu já não conseguia suportar as dores das contrações. Gente, quem já passou por isso, sabe o que é. É uma dor sem descrição. Minha médica chegou, me examinou e avisou que não havia sinal de dilatação, ou seja, precisaríamos encarar outra cesariana. Vamos nessa…

Entrei no centro cirúrgico já passava da meia-noite. Só deixariam o Ferla entrar quando a anestesia estivesse fazendo efeito. E agora? Como ficar parada para a anestesia na coluna com tanta dor? Eu berrava no centro cirúrgico, devo ter acordado algumas pessoas no bairro Pantanal, onde fica a Clínica. Por 3 vezes o médico anestesista teve que “reposicionar” a agulha. Até que me deitaram, mandaram o Ferla entrar e começaram a cirurgia.

Ouvia a voz da minha médica e me metia na conversa de vez em quando. Até que, quando o relógio marcou 1h08min, ouvi o choro estridente de um bebê – era ele! Forte e vigoroso, nasceu aos berros. Enquanto ele chorava alto, minhas lágrimas escorriam sem parar num choro contido, sem som, mas não paravam. Quanto mais eu ouvia ele chorando, mais eu chorava.

É impossível descrever o turbilhão de sentimentos que invade o coração de uma mãe num momento desses. E eu, tão afortunada, já tive essa oportunidade 2 vezes.

O pai, tal qual fez quando Luiz Felipe nasceu, foi atrás dele para o setor de pediatria, fotografar, cuidar, admirar, sentir.

Fiquei ali até que terminassem os procedimentos cirúrgicos e  me trouxeram ele pra ver 2 vezes. Ao ouvir minha voz, ele parou de chorar por alguns instantes.

Às 2h20 da manhã, Ferla veio com ele para onde eu estava – na sala de recuperação. Ao colocarem ele no peito, imediatamente começou a mamar. Estava instalada a mais profunda sintonia entre nós dois.

Fomos pro quarto e no dia seguinte, as visitas, o banho, os remédios, o cansaço, mas o mais importante: a Felicidade. O Lipe ao chegar no quarto e ver o irmão, não se continha de alegria, curiosidade, encantamento. Queria pegar, passar a mão, beijar, ver, tocar. Está assim até hoje, encantado, doce, meigo. Sem um pingo de ciúme.

Bom, pessoas, a todos aqueles queridos amigos que mandaram mensagens, rezaram, torceram, meu muito obrigada. Está tudo bem. Apesar do cansaço, da dor da cirurgia, do turbilhão de emoções, da sensibilidade à flor da pele, eles são lindos – uns verdadeiros anjos.

Circo

Esta divido com vcs:
Na agenda do Lipe hj veio um comunicado sobre a apresentação de fim de ano. Avisa que o espetáculo, em um teatro da cidade, terá como tema “O Circo”.

A música escolhida é uma bem conhecida: “vem brincar que o circo já chegou, vem sorrir que o circo já chegou…”. Bom, o aviso dizia que, para os meninos, os pais devem providenciar uma fantasia de “palhaço” ou de “mágico”.

Como sou uma mãe democrática e, dentro do possível, incentivo o Lipe a tomar decisões, fiz a pergunta pra ele:

- Lipe, vai ter apresentação da escola e a Tia Michele falou pra você escolher uma fantasia pra Mamí (como ele me chama, pra quem não sabe…) comprar pra você.  Qual vc prefere? De palhaço ou de mágico?

- Nem de palhaço, nem de mágico, Mamí. Eu quero uma fantasia de “Engolidor de fogo”!

- Ã? ….

Bom, a questão agora é? onde arranjo uma fantasia de “Engolidor de fogo”, alguém sabe?

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