Textos categorizados 'Ferla'

Niver

Era pra ter escrito ontem, mas o clima baiano me deixou preguiçosa. Talvez a preguiça por aqui seja contagiante.

Estamos passando uns dias de férias em família na Bahia. As primeiras férias da família com 4 integrantes.

Ontem foi o niver do Papí. Trouxemos presentes na mala e encomendamos um bolo para o parabéns no café da manhã, com direito à vela do “Ben 10″ .

É fácil e ao mesmo tempo difícil falar dele. Tem tantas qualidades, tantas virtudes que os defeitos ficam minúsculos, quase imperceptíveis. E tenho certeza que isso não é coisa de mulher apaixonada. Vejo muitas pessoas o admirando. Aliás, se fosse escolher um sentimento para esta data seria admiração.

Além de amor – que é o sentimento maior que nos une, tenho uma admiração imensurável pelo Ferla. Ele sempre foi um namorado exemplar, um marido maravilhoso e como pai então, é indescritível o carinho, o cuidado, a dedicação que tem pelos meninos. Somos muito sortudos, nós três – eu, Lipe e o Pequeno Gui.

Sem falar no filho, irmão, empresário, cidadão e amigo que observo no dia-a-dia. Sempre preocupado com o bem estar daqueles que o rodeiam e que ama.

Só posso agradecer todos os dias ao bom Deus por ter colocado este homem fantástico na minha vida e por comemorar mais um ano ao seu lado, junto com o Lipe e agora com mais um ‘filhotinho’.

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Saudade dói

Criança tem cada uma… frase conhecida né?

Pois é, aqui em casa tenho uma que, aos 8 meses, quando o Ferla teve que ficar alguns dias fora a trabalho, adoeceu. Febre e vômito eram os sintomas.

Lembro que o levei no pediatra – Tio Cecim, que também foi meu pediatra – e, ao examiná-lo, perguntou: está tudo bem em casa? Falei que sim e questionei o porquê da pergunta. Ele me disse que parecia que o Lipe tinha somatizado algo, que os sintomas eram emocionais. Pensei: será? Bom, como Tio Cecim tem mais de 30 anos de pediatria e confio muito nele, acreditei na hipótese. Perguntou-me em seguida onde estava o Ferla. Disse-lhe que estava viajando havia dois dias. Ele prontamente falou: então está aí o problema: saudade do pai. E me contou sobre casos de crianças que ele atende que chegam a ter convulsões de febre alta quando sentem falta do pai ou da mãe.

Pois então. Passou o tempo e, como o Papí viaja sempre a trabalho, quase todos os meses Lipe tinha febre de 39, 40 graus por falta dele. Dizia-me o pediatra que, possivelmente, com o tempo passaria e ele se acostumaria. Porém, o Lipe sempre se mostrou uma criança muito sensível. Na escola,  em casa, se algo não vai bem, ele somatiza, fica triste e sofre. Com ele sofro eu. Talvez umas 10 vezes mais. Minha vontade é de arrancar-lhe o sofrimento com as mãos. Mas não posso, preciso entendê-lo e ajudá-lo a externalizar.

Semana passada, o Papí foi fazer um curso em São Paulo. Viajou no domingo. Na terça-feira, veio o primeiro sinal. Uma crise de choro sem motivo e uma leve agressividade  comigo. Em alguém ele precisava descontar. Chegou a me dizer – algo que me provocou risadas – que iria embora: “vou arrumar minhas coisas e ir embora dessa casa porque você está me incomodando”. Mas, ao menos evoluiu ao dizer declaradamente em seguida que estava com saudades do Papí, que ele estava demorando a voltar de São Paulo. Imaginem meu sofrimento ao vê-lo chorando, sabendo que ainda ia demorar mais 3 dias para o “remédio” dele chegar.

Na quinta-feira, o ponto alto da saudade: vômito.  Por volta de 18h30 ele não aguentou e colocou tudo pra fora, ficou muito mal pelo que sentiu e pelo que não queria sentir. Dizia várias vezes que “não queria ter feito isso, Mamí, não quero fazer isso mais”. Muita calma nesta hora! Não basta ser mãe, tem que ser forte!

Um banho pra acalmar, pijama, cama e pronto. Dormiu. Lá pelas 22h, novamente, mais reação. Meu Deus! E agora? O menino estava branco, pálido, olhos caídos. Liguei pro Tio Cecim que me perguntou quais eram os sintomas. Somente vômito e chateação. A pergunta do outro lado:
- Cadê o pai? 
- Em São Paulo, respondi.
- Então, já sabemos o que é. Deixe-o em paz, se não quer comer, não force, deite com ele, dê carinho e espere passar. Assim fiz.

Deixei o Ferla a par de tudo e, é claro, também sofria de lá. Se pudesse se “teleportava” pra casa.

Passou bem a noite. No dia seguinte levei-o pessoalmente para o pediatra examinar, mas a conclusão era a mesma: saudade. Receitou-lhe apenas o pai de volta e umas gotinhas de floral.

Na sexta, Ferla voltou e, apesar de chegar tarde, foi ao quarto dele para dizer-lhe que estava de volta, foi o que lhe prometeu ao telefone antes. De início, uma leve revolta, mas no dia seguinte, já estava tudo bem e nada mais o afligia.

Agora, enquanto escrevo este post, estão os dois na praia, curtindo uma manhã de sol e se curtindo. Matando a saudade. Esse é o preço de se ter um pai presente, que mesmo, vez ou outra, ausente pelas viagens, não se ausenta das nossas vidas. Esse é o preço por ser sensível. Esse é o preço por se amar.

Saudade dói, disso o Lipe bem sabe, mas deve doer mais ainda não tê-la de ninguém. Pode ser contraditório, mas feliz dele que pode sentir essa saudade ao máximo.

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Ai, ui…

Faz uma semana que não paro de falar “ai, ui…”

Desde domingo passado tenho contrações. Umas fortes, outras fracas, outras bem fortes.

Não sabia o que era ter contrações até então. O parto do Lipe, embora antecipado, não teve nada de dor. Simplesmente arrebentou a bolsa e 2 horas e 17 minutos depois ele já tinha nascido. Mas agora… ahhh… A barriga fica dura como pedra, dói lá embaixo, vai pras costas, vejo estrelas, dou 3 voltinhas no anel de Saturno, respiro fundo e ufa… passou… até a próxima, que pode vir em minutos ou em uma hora.

A médica me examinou esta semana e concluiu que está tudo bem com o João Guilherme, que as contrações são problema meu, não dele. E, como o personagem principal é ele, a recomendação é tentar esperar mais duas semanas, até que ele chegue a 37ª.  Receitou Buscopan pra dor e uma medicação que deveria aliviar as contrações, mas… tá difícil.

Algumas noites desta semana dormi menos de 1 hora direto. Acordo a toda hora. Coitado do “Papí”. Já recomendei a ele que vá dormir no quarto de hóspedes. Mas, zeloso e preocupado, se recusa. Prefere dormir mal a me abandonar com as dores… Isso que é companherismo, né? Até alivia um pouco a dor física.

Bom… assim foi minha semana. Amanhã começa minha licença, pois não tenho mais condições de ficar sentada trabalhando. Consigo ficar no computador nos intervalos das contrações, que nem sempre coincidem com o horário que tenho que estar concentrada no trabalho. Então, sossego e repouso (mais!).

Seja o que Deus quiser… Esta semana tem mudança de lua. Vamos ver o que acontece. Como já disse antes, que venha com saúde. Será muito bem-vindo!

João Guilherme no Ultrassom 4D em 21/10/2008

João Guilherme no Ultrassom 4D em 21/10/2008

10 anos…5 anos…

Era 21 de novembro de 1998. Descansando um pouco em casa, já na cama, toca o celular…
- Oiiii, e daí vamos sair?
- Ah Vivi, acho que hoje não. Tô cansada.
- Ah vamos vai, é formatura do meu cunhado, vai ter o coquetel, depois o baile, vamos com a gente.

Reforcei que não iria, mas diante da insitência… concordei. Coloquei um vestido qualquer, ajeitei o cabelo, maquiagem básica e esperei irem me buscar.

O tal coquetel de formatura era no antigo Bierplatz, onde hoje tem um prédio enorme, na Avenida Beira Mar.

Muitas conversas, alguns conhecidos e eis que fui apresentada a ele. Papo sobre política rolando. O amigo que nos apresentou fez questão de nos deixar sozinhos e, chegada a hora de todos irem para o baile, a armação dos amiguinhos para que eu fosse de carona com o novo conhecido. De início, posso dizer que não me interessei, até porque naquele dia não estava inspirada para “encontrar alguém”, mas somente para acompanhar um casal de amigos a uma festa.

Mas, tudo bem. Fui de carona com o “moço”. Lembro-me que ao entrar no carro ele perguntou: “Você gosta de música clássica?”…. Pensei comigo: “nossa, onde fui amarrar meu bode… eu que vivo saracoteando no pagode, samba, axé, música sertaneja e afins e o cara me vem com música clássica… que roubada… mas, respondi que sim…” Ele ligou o som e começou a rolar “Terrasamba”, que na época era sucesso. Pensei: “que engraçadinho… mas ganhou pontos pelo senso de humor”.

Chegando ao baile, já quase meia-noite, fui dar um “rolé” pra ver qual era. Animadíssimo o baile, vários conhecidos, caí na dança e, logo em seguida, fui “achada” por ele. Convidou-me pra dançar e dançamos a noite inteira. Pensei: “nossa, há tempos procuro por um cara que dança e esse, além de parecer bem humorado, dança muito”. Detalhe: foi a primeira e última vez que dançou tanto…  Ficamos no baile até às 5h da manhã. Só na dança e na conversa. Nada de beijo. Até porque não sou fácil assim…

Na ida pra casa, 5h da manhã, ele convida: “vamos pegar o final da noite no Cáfé Cancun?
- Nossa! que empolgado. Mas, vamos então.

E fomos. Mais música, mais dança. Pensei: “nossa, o cara gosta mesmo de balada e de dança!”. Lá sim, rolou o primeiro beijo, já na madrugada do dia 22. Ao sair, ele disse que estava com fome. Falei que conhecia um bom lugar aberto aquela hora. Levei ele ao “Rota Lanches”, um trailer que tinha na SC-404, caminho pra Lagoa, perto da minha casa. Ele pediu um X-salada pra levar (mais tarde soube que nunca comeu o tal lanche, que era motivo pra ficarmos um pouco mais…)

Ao me deixar em casa, saindo do carro, disse-me: “tá, e como a gente se fala?”. Falei: “quer meu telefone? Te dou”. E anotei pra ele. Dois dias depois me ligou e passamos a nos ver cada vez com mais freqüência. Dali pra namoro, foi questão de pouco tempo.

Bom, essa foi uma introdução para uma história que completa 10 anos juntos – 5 de namoro e 5 de casamento neste sábado, dia 22.

Sempre me considerei uma pessoa de sorte, sempre soube que o Homem lá de cima é muito bondoso comigo, mas não posso negar que ele foi por demais generoso em colocar esta pessoa tão admirável na minha vida.

Ferla sempre foi um namorado exemplar, mas como marido ele se supera e como pai, então, é impossível descrevê-lo.

São 10 anos de relacionamento leve, de respeito, de admiração, de carinho, de amor.  São 5 anos de casados, um filho maravilhoso e outro a caminho. Uma vida de sonho, de felicidade. Da qual eu jamais imaginei que seria merecedora. Esse homem a quem eu tanto amo, a cada dia me completa e me ensina que o melhor da vida está nas coisas mais simples.

Abaixo, o vídeo que marcou o início da nossa vida de casados.

De quem era aquela mão?

Ano de 2000. 23 de outubro. Reta final do segundo turno das eleições municipais. Disputa importante em Curitiba. Luiz Alberto Ferla, meu namorado na época, foi convidado a deslocar-se até Curitiba para dar apoio ao candidato Cássio Taniguchi.

 

Pela manhã,  Ferla me dava uma carona até o Centro para pegar meu ônibus rumo à Univali, onde eu cursava Direito. Namorávamos há quase 2 anos. No sinaleiro do bairro Córrego Grande, uma chuva fina cobria a cidade, e eu, que sempre fui muito intuitiva, fiquei com receio da pista molhada. Um receio estranho, sem motivo.

 

Ferla e mais dois amigos iriam para Curitiba no meio da tarde. A chuva fina continuava.

 

No dia seguinte, na Faculdade, comentei com minha amiga Babi:

- Não sei por que, mas estou com uma saudade do Ferla. Estranho porque nos vimos ontem.

 

Babi, sempre muito bem humorada (não sei se ela se lembra da cena) disse:

- Ih tá apaixonadinha ainda é?

 

Bom. Terminada a aula, fui pro trabalho, na Assembléia. Toca meu celular, um número estranho de Curitiba. Era ele:

- Oi, tudo bem? Como foi a prova? (eu tinha uma prova importante naquela manhã).

- Tudo bem….

Em seguida ele me disse que havia perdido o celular porque tinha acontecido um pequeno acidente (meu coração já foi acelerando…), que o carro tinha saído da estrada, que todos estavam bem. Ele estava no hospital aguardando os amigos (hospital??? Como assim?).

 

Bom, ele conseguiu me enrolar. Em seguida me liga um amigo, irmão do rapaz que estava com ele e me relata todo o “pequeno acidente”. Na descida da Serra, sentido Joinville- Curitiba, pista molhada, o carro aquaplanou, ele perdeu o controle, bateu na mureta de proteção. O carro literalmente voou e caiu na represa a uma profundidade de 16 metros. Foi ao fundo. Uma altura comparada a um prédio de 4 andares.

 

Em detalhes, depois, soube que os amigos saíram do carro, nadaram até a beira da represa e ele – Ferla – nada. Apareceu minutos depois. Ficou trancado no cinto e até hoje não entende direito como saiu de lá. Ouvi-lo contando a história é arrepiante.  Ele diz que sentiu uma pressão nas costas o impulsionando para frente, que era o único lugar por onde ele poderia sair. A pressão talvez tenha sido “uma mão”. Por coincidência, ou não, a mãe dele, hoje minha sogra, reza todos os dias um terço para o anjo da guarda de todos os filhos (e agora das noras e netos), no mesmo horário (18h).

O acidente ocorreu mais ou menos às 18h15. A primeira dezena do terço é pro filho mais velho. Como Ferla é o segundo, provavelmente nesta hora, ela estava na dezena correspondente ao anjo da guarda dele. De quem seria esta mão que o impulsionou? Alguém tem dúvida?
 

Quando o carro foi tirado da represa, o bombeiro disse que muitos acidentes ocorrem naquele trecho e que em alguns anos que ele trabalhava naquela área, foi o primeiro acidente em que todos sobreviveram.

 

Só sei que enquanto não o vi descendo do avião aqui em Floripa, tocá-lo, abraçá-lo e ter a certeza de que estava tudo bem, meu coração não sossegou. Como sofri de agonia enquanto ele não chegou.

 

Esse episódio foi muito marcante pra mim. E muito mais ainda pra ele. Ele que em 2 anos tinha se mostrado uma pessoa especial, digna de admiração em todos os aspectos, tornou-se ainda mais especial pelo que absorveu da situação.

 

Hoje, dia em que esse episódio completa 8 anos, só posso agradecer a Deus por ter permitido este milagre.  Por ter deixado essa pessoa tão especial, esse ser humano maravilhoso aqui com a gente. Por ter permitido que ele se tornasse meu marido e pai do Lipe e do João Guilherme. Obrigado Deus. Como o Senhor foi e é bom comigo!

 

Abaixo segue um vídeo que achei apropriado para o tema e o dia de hoje.

 


http://twitter.com/geisiana