Textos categorizados 'felicidade'

Nasceu João Guilherme

Então, demorei, mas aqui estou…

Estávamos em casa na bela noite de lua cheia de sexta passada e após colocar o Lipe para dormir, jantamos tranquilamente e fui deitar. Eis que ouvi um “ploc” meio abafado e uma fisgada, mas de tanto sentir contrações nos últimos dias, fiquei apenas com o pressentimento de que algo poderia acontecer naquela noite e peguei no sono. Lá pelas 22h acordei para ir ao banheiro e percebi algo estranho… a bolsa se rompeu, tal qual quando o Lipe nasceu.

Ligamos pra médica e ela mandou ir pra maternidade até a meia-noite. Lá vamos nós então organizar as coisas. E agora? E o Lipe? O que mais me afligia desde que engravidei era que esse momento acontecesse à noite ou no meio da noite e eu tivesse que “abandoná-lo”. Cheguei a ter crises de choro alguns dias antes só de pensar em ficar 2 dias longe dele. Parece bobagem, alguns dirão, mas ele dorme de mão comigo todas as noites, e como ia ser quando eu não estivesse? Isso me angustiava. Bom, mas surpreendentemente, ele compreendeu tudo e aceitou ficar na casa da vó enquanto eu estivesse no hospital. Incrível esse menino!

Chegamos na maternidade perto da meia-noite e eu já não conseguia suportar as dores das contrações. Gente, quem já passou por isso, sabe o que é. É uma dor sem descrição. Minha médica chegou, me examinou e avisou que não havia sinal de dilatação, ou seja, precisaríamos encarar outra cesariana. Vamos nessa…

Entrei no centro cirúrgico já passava da meia-noite. Só deixariam o Ferla entrar quando a anestesia estivesse fazendo efeito. E agora? Como ficar parada para a anestesia na coluna com tanta dor? Eu berrava no centro cirúrgico, devo ter acordado algumas pessoas no bairro Pantanal, onde fica a Clínica. Por 3 vezes o médico anestesista teve que “reposicionar” a agulha. Até que me deitaram, mandaram o Ferla entrar e começaram a cirurgia.

Ouvia a voz da minha médica e me metia na conversa de vez em quando. Até que, quando o relógio marcou 1h08min, ouvi o choro estridente de um bebê – era ele! Forte e vigoroso, nasceu aos berros. Enquanto ele chorava alto, minhas lágrimas escorriam sem parar num choro contido, sem som, mas não paravam. Quanto mais eu ouvia ele chorando, mais eu chorava.

É impossível descrever o turbilhão de sentimentos que invade o coração de uma mãe num momento desses. E eu, tão afortunada, já tive essa oportunidade 2 vezes.

O pai, tal qual fez quando Luiz Felipe nasceu, foi atrás dele para o setor de pediatria, fotografar, cuidar, admirar, sentir.

Fiquei ali até que terminassem os procedimentos cirúrgicos e  me trouxeram ele pra ver 2 vezes. Ao ouvir minha voz, ele parou de chorar por alguns instantes.

Às 2h20 da manhã, Ferla veio com ele para onde eu estava – na sala de recuperação. Ao colocarem ele no peito, imediatamente começou a mamar. Estava instalada a mais profunda sintonia entre nós dois.

Fomos pro quarto e no dia seguinte, as visitas, o banho, os remédios, o cansaço, mas o mais importante: a Felicidade. O Lipe ao chegar no quarto e ver o irmão, não se continha de alegria, curiosidade, encantamento. Queria pegar, passar a mão, beijar, ver, tocar. Está assim até hoje, encantado, doce, meigo. Sem um pingo de ciúme.

Bom, pessoas, a todos aqueles queridos amigos que mandaram mensagens, rezaram, torceram, meu muito obrigada. Está tudo bem. Apesar do cansaço, da dor da cirurgia, do turbilhão de emoções, da sensibilidade à flor da pele, eles são lindos – uns verdadeiros anjos.

10 anos…5 anos…

Era 21 de novembro de 1998. Descansando um pouco em casa, já na cama, toca o celular…
- Oiiii, e daí vamos sair?
- Ah Vivi, acho que hoje não. Tô cansada.
- Ah vamos vai, é formatura do meu cunhado, vai ter o coquetel, depois o baile, vamos com a gente.

Reforcei que não iria, mas diante da insitência… concordei. Coloquei um vestido qualquer, ajeitei o cabelo, maquiagem básica e esperei irem me buscar.

O tal coquetel de formatura era no antigo Bierplatz, onde hoje tem um prédio enorme, na Avenida Beira Mar.

Muitas conversas, alguns conhecidos e eis que fui apresentada a ele. Papo sobre política rolando. O amigo que nos apresentou fez questão de nos deixar sozinhos e, chegada a hora de todos irem para o baile, a armação dos amiguinhos para que eu fosse de carona com o novo conhecido. De início, posso dizer que não me interessei, até porque naquele dia não estava inspirada para “encontrar alguém”, mas somente para acompanhar um casal de amigos a uma festa.

Mas, tudo bem. Fui de carona com o “moço”. Lembro-me que ao entrar no carro ele perguntou: “Você gosta de música clássica?”…. Pensei comigo: “nossa, onde fui amarrar meu bode… eu que vivo saracoteando no pagode, samba, axé, música sertaneja e afins e o cara me vem com música clássica… que roubada… mas, respondi que sim…” Ele ligou o som e começou a rolar “Terrasamba”, que na época era sucesso. Pensei: “que engraçadinho… mas ganhou pontos pelo senso de humor”.

Chegando ao baile, já quase meia-noite, fui dar um “rolé” pra ver qual era. Animadíssimo o baile, vários conhecidos, caí na dança e, logo em seguida, fui “achada” por ele. Convidou-me pra dançar e dançamos a noite inteira. Pensei: “nossa, há tempos procuro por um cara que dança e esse, além de parecer bem humorado, dança muito”. Detalhe: foi a primeira e última vez que dançou tanto…  Ficamos no baile até às 5h da manhã. Só na dança e na conversa. Nada de beijo. Até porque não sou fácil assim…

Na ida pra casa, 5h da manhã, ele convida: “vamos pegar o final da noite no Cáfé Cancun?
- Nossa! que empolgado. Mas, vamos então.

E fomos. Mais música, mais dança. Pensei: “nossa, o cara gosta mesmo de balada e de dança!”. Lá sim, rolou o primeiro beijo, já na madrugada do dia 22. Ao sair, ele disse que estava com fome. Falei que conhecia um bom lugar aberto aquela hora. Levei ele ao “Rota Lanches”, um trailer que tinha na SC-404, caminho pra Lagoa, perto da minha casa. Ele pediu um X-salada pra levar (mais tarde soube que nunca comeu o tal lanche, que era motivo pra ficarmos um pouco mais…)

Ao me deixar em casa, saindo do carro, disse-me: “tá, e como a gente se fala?”. Falei: “quer meu telefone? Te dou”. E anotei pra ele. Dois dias depois me ligou e passamos a nos ver cada vez com mais freqüência. Dali pra namoro, foi questão de pouco tempo.

Bom, essa foi uma introdução para uma história que completa 10 anos juntos – 5 de namoro e 5 de casamento neste sábado, dia 22.

Sempre me considerei uma pessoa de sorte, sempre soube que o Homem lá de cima é muito bondoso comigo, mas não posso negar que ele foi por demais generoso em colocar esta pessoa tão admirável na minha vida.

Ferla sempre foi um namorado exemplar, mas como marido ele se supera e como pai, então, é impossível descrevê-lo.

São 10 anos de relacionamento leve, de respeito, de admiração, de carinho, de amor.  São 5 anos de casados, um filho maravilhoso e outro a caminho. Uma vida de sonho, de felicidade. Da qual eu jamais imaginei que seria merecedora. Esse homem a quem eu tanto amo, a cada dia me completa e me ensina que o melhor da vida está nas coisas mais simples.

Abaixo, o vídeo que marcou o início da nossa vida de casados.


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