Textos categorizados 'emoção'

Borboletas e emoções

borboletaDesde criança sempre gostei de borboletas. São insetos agradáveis. Coloridas ou de uma cor só são leves. Diria, encantadoras.

Aliás, tenho a impressão de que quando eu era criança existiam muito mais borboletas do que hoje. Vaga-lumes então, tinham aos montes. Durante o dia, em qualquer lugar, achava-se uma borboleta. Durante à noite, os vaga-lumes ocupavam o lugar delas.

Agora fiquei em dúvida, se quando era criança eu é que prestava mais atenção na presença desses bichinhos ou se realmente agora existem menos que antes.

Bom, mas essa introdução sobre as borboletas foi na verdade para falar de emoções.

Quando estava grávida do Lipe e senti ele mexer na minha barriga pela primeira vez – em 27 de janeiro de 2005 – lembro-me que para descrever a sensação lembrei da leveza das borboletas e do encantamento que proporcionam. Quando Ferla me perguntou o que eu senti, respondi:
- Foi como se uma borboleta estivesse voando dentro da minha barriga.

E era realmente o que parecia. Era a descrição de uma emoção.

Ontem, foi a abertura das Olimpíadas da escola do Lipe. Ele faz parte da equipe amarela, que representa o Calendário Chinês. A camiseta dele tem um ‘dragão chinês’ nas costas e foi o suficiente pra ele adorar estar nesta equipe.

Então, estávamos lá na platéia da abertura, também de camisetas amarelas, enquanto acontecia o desfile e disputa de animação entre as torcidas. É algo simples, corriqueiro, mas estávamos nós dois – pai e mãe – emocionados com nosso filhote ali participando de um evento dos jogos da escola. Ele estava ansioso com o barulho, a festa, a torcida e olhando pra conferir se estávamos ali todo o tempo.

Em nossa mente veio as lembranças de quando éramos crianças e o quanto era importante pra gente esses eventos, competições, gincanas. Eram dias esperados, agitados, emocionantes. Ferla virou pra mim e disse:
- Engraçado, parece que tem uma borboleta voando dentro de mim. Sabe, uma sensação assim, de quando a gente era criança, de felicidade com esses momentos…
- Sei. Isso se chama emoção. É o que estamos sentindo.

O evento de abertura finalizou e fomos ao encontro dele, que ficou grudado em nós dois, como se quisesse agradecer pela nossa presença e apoio num momento super importante pra ele.

E as borboletas ficaram ali, dentro da gente, voando por mais um bom tempo.

Missão cumprida

Nem sempre a cabeça e o coração de uma mãe estão em sintonia. Por vezes, a cabeça toma uma decisão que é difícil para o coração segurar. Surgem a dúvida acerca do “certo e errado”, “bom e ruim”.

A maioria das mulheres quando engravida deseja o melhor para seu filho e já vai pensando em como vai ser cada detalhe após ele nascer. Se vai ser menino ou menina, se ele vai chorar ou não, se o parto vai ser normal ou cesárea, se ele vai mamar no peito ou não. Enfim, mil coisas fervilham na cabeça. E o coração descompassa.

Dentre todas essas coisas, a amamentação ocupa um papel especial. O ato de amamentar é uma doação. É um desapego à própria liberdade em favor de uma pessoa. Uma pequena pessoa.

A expectativa em torno deste momento chega a ser angustiante: e se o bebê não mamar? e se o leite não descer? e se o mamilo rachar? E assim vai.

Tanto o meu filhote mais velho quanto o mais novo, logo ao nascer já mamaram como se também estivessem esperando por aquele momento.

São momentos únicos, especiais. Uma troca fantástica de ternura. O olhar de um bebê para uma mãe no momento da amamentação deveria ser elevado ao grau de “olhar mais especial do mundo”.

Até os seis meses, quando possível, prazeroso e saudável para mãe e bebê, é obrigação. Mais que esse tempo é pura doação.

O momento do desmame é, ao contrário, perturbador. Esta semana desmamei o Pequeno Gui. Tem sido mais difícil pra mim do que pra ele, assim como foi com o Lipe, que parou de mamar com 1 ano e 3 meses. A última mamada do Guigui  foi na madrugada do dia 3 de setembro às 2h30 da manhã.

Ele completa 9 meses este mês. Mas nem foi pela idade que tomei esta decisão e sim pelo fato de que estava viciado em mamar. Acordava de 3 a 4 vezes por noite para mamar 4 ou 5 minutos. Ele não descansava direito e eu muito menos.

Decidi, implementei a decisão, mas a confusão mental atormenta. Será que não estou sendo cruel, tendo leite e ‘negando” a ele? Será que estou sendo egoísta e pensando só no meu descanso, na minha liberdade?

Como eu disse, pra ele foi mais tranquilo do que pra mim. Já estou com saudades dos momentos em que ele mamava, me olhava, sorria com os olhos me agradecendo pelo carinho, pelo leite morninho, pelo contato.

Mas é assim… na vida as decisões tem que ser tomadas. O sofrimento pela saudade desses momentos únicos existe, é intenso, mas faz parte. Encerro esta etapa com a sensação de missão cumprida.

Cumpri mais uma obrigação de mãe.

Independência ou mãe!

Nada mais virtuoso para uma mãe saber que cria seus filhos para o mundo.

Eles nascem, precisam da gente o tempo todo, o que nos proporciona satisfação e cansaço. Crescem, vão ficando independentes e correm para o mundo.

Muitas mães padecem de sofrimento à medida que seus filhos vão se tornando independentes. Deixam de se sentir insubstituíveis, necessárias, únicas.

É difícil não se sentir assim, mas também é sábio, é sadio, é da vida. O contrário só faz mal ao filho e à mãe.

Com dois filhos, sempre soube que passaria por isso em dose dupla. Me preparo a cada dia um pouquinho para um dia deixar de ser tão importante, relevante, necessária.

Porém, começou cedo demais essa história toda. Ontem, ao levar o Lipe na escola – relembro que ele tem 4 anos (pra mim, apenas 4 anos!) – ele me diz:
- Mamí, que tal amanhã você ficar no carro e eu entro sozinho na escola?

Pega de surpresa…
- Mas amanhã? Por que?
- Porque eu quero ir sozinho, já sou grande.
- Claro! Muito grande. Vou achar muito legal! (ã???)

Fiquei pensando nisso durante o dia e à noite. Lembrei dos primeiros dias que fui levá-lo na escola, a fase de adaptação, o choro de abandono, o meu de sofrimento. Depois, o retorno das férias, quando ele nem chorou e quem desabou fui eu. E, ontem, a primeira declaração de independência.

Eis que hoje, na hora de ir pra escola, perguntei se realmente ele iria sozinho do portão:
- Sim, Mamí! Você fica no carro e eu vou sozinho com a minha mochila.
- Tá bom.

Paramos na frente da escola e eu fui saindo para pegar a mochila que estava no banco da frente. Ao me ver abrindo a porta, ele diz:
- Mamíiii, por que você está saindo do carro?
- Pra pegar a sua mochila. Você não quer mesmo que eu vá?
- Não, Mamí, já falei. Eu vou sozinho com a minha mochila.
- Então tá. Dá um beijo e vai com Deus.

Nossa, olha o drama! Parece que o menino ia viajar! Tudo bem, eu sei, pode ser exagero, mas não é a distância que conta aqui, é a simbologia do “não preciso de você”. 

Fiquei olhando do carro. Ele passou pelo portão, estufou o peito, foi andando com passinhos firmes, balançando os bracinhos e, pior (ou melhor!), nem se dignou a olhar pra trás!

Meu peito apertado ficou contemplando seus passos rumo à autonomia, à confiança. É pra isso que a gente cria os filhos (mas, precisava ser assim tão cedo?)

Sobre Obama

Só se fala nele.

Os jornais impressos e televisivos comentam a extraordinária vítória do “primeiro presidente negro” dos Estados Unidos.

Com uma campanha eficiente, uma oratória e carisma extraordinários, Barack Obama foi declarado ontem vitorioso ao final da campanha presidencial nos Estados Unidos.

Li muita informação a respeito deste grandioso fato que repercutiu pelo mundo. Não vou escrever sobre fatos históricos nem fazer análises políticas sobre o futuro dos Estados Unidos e a vitória de Barack Obama. Até porque, não tenho conhecimentos nem argumentos suficientes para tanto. Deixo isso para os cientistas políticos e articulistas.

Porém, assisti ontem o discurso de Obama e não posso deixar passar a emoção e sentimentos desse homem que passou a ser o líder mais importante do mundo.

Primeiramente, foi de uma grandeza o elogio que fez ao seu oponente McCain. De uma elegância invejável.

Mas o que realmente tocou foi o que ele falou sobre sua mulher, Michelle: “E eu não estaria aqui nesta noite sem o incansável apoio da minha melhor amiga nos últimos 16 anos, a pedra-angular da nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama dessa nação: Michelle Obama.” E complementou a parte “sentimental” do discurso citando as filhas, a avó que o criou com um imenso carinho e de uma senhora que fez questão de votar nele, aos 106 anos de idade.

Obama fez um belíssimo discurso, falou sobre história, sonhos e futuro. Mas o encanto da sua fala, ficou por conta da expressão dos seus sentimentos, do seu sincero agradecimento à família. Como eu, muitas outras pessoas no mundo inteiro ficaram encantadas.

Isso porque, no meio de tanto egoísmo, principalmente na política, de tanta violência, falta de valores familiares, pressa, correria, o homem que assume o cargo mais importante do mundo, falou abertamente sobre amor, sobre sentimentos. E encantou.

Pelo visto, precisamos de mais homens como Obama, com a coragem de falar de sentimento, de vida, de família, que não tenha vergonha de falar de política, de futuro, mas também falar de amor para aproximadamente 250 mil pessoas ao vivo e outras milhões que o acompanharam pelas redes de TV ao redor do mundo.

Viva sua coragem, viva a emoção, viva Barack Obama.

obamaefamilia


http://twitter.com/geisiana