Frio intenso. Além de ficarmos encolhidos, lábios ressecados, vontade de não sair de casa, o frio faz as crianças ficarem doentes.
O Pequeno Gui está com uma laringite desde domingo. Segunda pela manhã levei ao médico. Está fazendo inalação, tomando xarope e fazendo fisioterapia pulmonar para soltar a secreção. Dá mais trabalho, mas evita-se o uso de medicamentos fortes, como antibióticos. Prefiro esta conduta, que o médico dele segue muito bem.
Bom, resultado disso é uma noite super mal dormida. Desde ontem ele tosse muito, chega a vomitar de tanta força que faz para tossir. Sente-se inseguro e quer meu colo. Fica aconchegado, gruda no meu cabelo, agarradinho com toda a força para que ninguém o tire da quentura da mãe.
A noite passada ele acordou de hora em hora. Queria colo, aconchego. Dormi no quarto dele para “facilitar” as idas e vindas. Exausta de tanto ‘não dormir’, ainda dei remédio e fiz inalação pela madrugada adentro, sem falar nas mamadas. Eis que às 4h da manhã acorda o outro – Lipe: “Mamíiiiiiiiiiiii, onde vc está???”
Com o Papí viajando, um no colo, falei pra ele:
- Tô aqui no quarto do Gui, volta pra cama que eu já vou.
- Não! Quero uma ‘deda colorida’ (o leitinho!).
Lá fui eu. Deixei o pequeno no berço, fiz a mamadeira, dei pra ele, deitei um pouco junto, mas nada do danado dormir. Voltei pro quarto do pequeno e disse: “fica aí que tá muito frio! eu já volto.”
Dois minutos depois: – Mamíiiii, vem aqui.
- Já vou menino!
Ele não esperou e foi pro quarto do Pequeno. Deitou na cama que eu estava dormindo e ficou ali com os olhos abertos até o irmãozinho dormir. E disse: “Ele já dormiu, agora vamos pra minha cama, né?”
Lá fomos nós. Deitei ao lado dele e falei: “Meu amor, a Mamí está muito cansada, vamos dormir logo agora, tá?”
- Tá bom.
Dois minutos depois: “Mamí?”
- Que foi, Lipe??
- Meu nariz tá trancado!
Levantei eu pela enésima vez, peguei o remédio e coloquei no nariz dele. Deitei novamente e não aguentava mais de tanto sono e cansaço, torci para que nenhum dos dois fizesse nenhum barulho. Olhei no relógio e já eram 5h15. Meu Deus! O dia amanhecendo e eu não dormi nada. Meu corpo tava pesado. A cabeça nem virava pro lado. Lipe se mexeu, grudou em mim, e mais uma vez: “Mamí???”
Quando eu ia quase chorar de desespero pensando que ele queria mais alguma coisa que eu tivesse que levantar, respondi:
- O que foi agora Lipe?
- É que você está cheirosa, Mamí!
Cadê o cansaço? O sono? A exaustão? Foi tudo embora, foram substituídos pela satisfação, pelo amor, pela ternura de ouvir isso desse filho querido, amado e galanteador. Se ele quisesse, eu levantaria aquela hora e faria o bolo de cenoura que ele tanto gosta. Podia pedir qualquer coisa aquela hora que eu faria pra ele, mas não. Ele só se encostou um pouquinho mais em mim e dormiu, feito um anjo que é. Não fiz na madrugada, mas acabei de tirar do forno o bolo favorito dele.