Era pra ter escrito ontem, mas o clima baiano me deixou preguiçosa. Talvez a preguiça por aqui seja contagiante.
Estamos passando uns dias de férias em família na Bahia. As primeiras férias da família com 4 integrantes.
Ontem foi o niver do Papí. Trouxemos presentes na mala e encomendamos um bolo para o parabéns no café da manhã, com direito à vela do “Ben 10″ .
É fácil e ao mesmo tempo difícil falar dele. Tem tantas qualidades, tantas virtudes que os defeitos ficam minúsculos, quase imperceptíveis. E tenho certeza que isso não é coisa de mulher apaixonada. Vejo muitas pessoas o admirando. Aliás, se fosse escolher um sentimento para esta data seria admiração.
Além de amor – que é o sentimento maior que nos une, tenho uma admiração imensurável pelo Ferla. Ele sempre foi um namorado exemplar, um marido maravilhoso e como pai então, é indescritível o carinho, o cuidado, a dedicação que tem pelos meninos. Somos muito sortudos, nós três – eu, Lipe e o Pequeno Gui.
Sem falar no filho, irmão, empresário, cidadão e amigo que observo no dia-a-dia. Sempre preocupado com o bem estar daqueles que o rodeiam e que ama.
Só posso agradecer todos os dias ao bom Deus por ter colocado este homem fantástico na minha vida e por comemorar mais um ano ao seu lado, junto com o Lipe e agora com mais um ‘filhotinho’.
Como dizia uma propaganda da televisão: “o tempo passa… o tempo voa…”
Hoje foi o primeiro dia de aula do ano de 2009 do Lipe. Lembro dos anos anteriores. Da fase de adaptação do primeiro ano, como ele chorou ao separar-se da Mamí nos primeiros dias. E do ano passado, que quem acabou saindo da escola aos prantos fui eu, quando, ao chegar na sala e encontrar os amiguinhos, virou-se para mim e para o Papí e, simplesmente, deu tchau com a mãozinha.
Este ano, fui levá-lo agora há pouco e parecia realmente um “menino grande” como ele mesmo se define. De uniforme, crocs amarelo, mochila e relógio do ‘Ben 10′, entrou pelo portão com uma segurança invejável.
Ao chegar na sala, os amigos vieram recebê-lo e daí ele já “se achou o cara”. Olhou pra mim como quem diz “pode ir!”. Me deu um beijo e tchau.
E voltei eu pra casa, que esta tarde está mais silenciosa. Um silêncio que só é quebrado com alguns resmungos do ‘Pequeno Gui’ quando é hora de mamar. E, então, constato que a história se repete e daqui a algum tempo estarei revivendo estes momentos com outro personagem.
Pois é, aqui em casa tenho uma que, aos 8 meses, quando o Ferla teve que ficar alguns dias fora a trabalho, adoeceu. Febre e vômito eram os sintomas.
Lembro que o levei no pediatra – Tio Cecim, que também foi meu pediatra – e, ao examiná-lo, perguntou: está tudo bem em casa? Falei que sim e questionei o porquê da pergunta. Ele me disse que parecia que o Lipe tinha somatizado algo, que os sintomas eram emocionais. Pensei: será? Bom, como Tio Cecim tem mais de 30 anos de pediatria e confio muito nele, acreditei na hipótese. Perguntou-me em seguida onde estava o Ferla. Disse-lhe que estava viajando havia dois dias. Ele prontamente falou: então está aí o problema: saudade do pai. E me contou sobre casos de crianças que ele atende que chegam a ter convulsões de febre alta quando sentem falta do pai ou da mãe.
Pois então. Passou o tempo e, como o Papí viaja sempre a trabalho, quase todos os meses Lipe tinha febre de 39, 40 graus por falta dele. Dizia-me o pediatra que, possivelmente, com o tempo passaria e ele se acostumaria. Porém, o Lipe sempre se mostrou uma criança muito sensível. Na escola, em casa, se algo não vai bem, ele somatiza, fica triste e sofre. Com ele sofro eu. Talvez umas 10 vezes mais. Minha vontade é de arrancar-lhe o sofrimento com as mãos. Mas não posso, preciso entendê-lo e ajudá-lo a externalizar.
Semana passada, o Papí foi fazer um curso em São Paulo. Viajou no domingo. Na terça-feira, veio o primeiro sinal. Uma crise de choro sem motivo e uma leve agressividade comigo. Em alguém ele precisava descontar. Chegou a me dizer – algo que me provocou risadas – que iria embora: “vou arrumar minhas coisas e ir embora dessa casa porque você está me incomodando”. Mas, ao menos evoluiu ao dizer declaradamente em seguida que estava com saudades do Papí, que ele estava demorando a voltar de São Paulo. Imaginem meu sofrimento ao vê-lo chorando, sabendo que ainda ia demorar mais 3 dias para o “remédio” dele chegar.
Na quinta-feira, o ponto alto da saudade: vômito. Por volta de 18h30 ele não aguentou e colocou tudo pra fora, ficou muito mal pelo que sentiu e pelo que não queria sentir. Dizia várias vezes que “não queria ter feito isso, Mamí, não quero fazer isso mais”. Muita calma nesta hora! Não basta ser mãe, tem que ser forte!
Um banho pra acalmar, pijama, cama e pronto. Dormiu. Lá pelas 22h, novamente, mais reação. Meu Deus! E agora? O menino estava branco, pálido, olhos caídos. Liguei pro Tio Cecim que me perguntou quais eram os sintomas. Somente vômito e chateação. A pergunta do outro lado:
- Cadê o pai?
- Em São Paulo, respondi.
- Então, já sabemos o que é. Deixe-o em paz, se não quer comer, não force, deite com ele, dê carinho e espere passar. Assim fiz.
Deixei o Ferla a par de tudo e, é claro, também sofria de lá. Se pudesse se “teleportava” pra casa.
Passou bem a noite. No dia seguinte levei-o pessoalmente para o pediatra examinar, mas a conclusão era a mesma: saudade. Receitou-lhe apenas o pai de volta e umas gotinhas de floral.
Na sexta, Ferla voltou e, apesar de chegar tarde, foi ao quarto dele para dizer-lhe que estava de volta, foi o que lhe prometeu ao telefone antes. De início, uma leve revolta, mas no dia seguinte, já estava tudo bem e nada mais o afligia.
Agora, enquanto escrevo este post, estão os dois na praia, curtindo uma manhã de sol e se curtindo. Matando a saudade. Esse é o preço de se ter um pai presente, que mesmo, vez ou outra, ausente pelas viagens, não se ausenta das nossas vidas. Esse é o preço por ser sensível. Esse é o preço por se amar.
Saudade dói, disso o Lipe bem sabe, mas deve doer mais ainda não tê-la de ninguém. Pode ser contraditório, mas feliz dele que pode sentir essa saudade ao máximo.
Era 21 de novembro de 1998. Descansando um pouco em casa, já na cama, toca o celular…
- Oiiii, e daí vamos sair?
- Ah Vivi, acho que hoje não. Tô cansada.
- Ah vamos vai, é formatura do meu cunhado, vai ter o coquetel, depois o baile, vamos com a gente.
Reforcei que não iria, mas diante da insitência… concordei. Coloquei um vestido qualquer, ajeitei o cabelo, maquiagem básica e esperei irem me buscar.
O tal coquetel de formatura era no antigo Bierplatz, onde hoje tem um prédio enorme, na Avenida Beira Mar.
Muitas conversas, alguns conhecidos e eis que fui apresentada a ele. Papo sobre política rolando. O amigo que nos apresentou fez questão de nos deixar sozinhos e, chegada a hora de todos irem para o baile, a armação dos amiguinhos para que eu fosse de carona com o novo conhecido. De início, posso dizer que não me interessei, até porque naquele dia não estava inspirada para “encontrar alguém”, mas somente para acompanhar um casal de amigos a uma festa.
Mas, tudo bem. Fui de carona com o “moço”. Lembro-me que ao entrar no carro ele perguntou: “Você gosta de música clássica?”…. Pensei comigo: “nossa, onde fui amarrar meu bode… eu que vivo saracoteando no pagode, samba, axé, música sertaneja e afins e o cara me vem com música clássica… que roubada… mas, respondi que sim…” Ele ligou o som e começou a rolar “Terrasamba”, que na época era sucesso. Pensei: “que engraçadinho… mas ganhou pontos pelo senso de humor”.
Chegando ao baile, já quase meia-noite, fui dar um “rolé” pra ver qual era. Animadíssimo o baile, vários conhecidos, caí na dança e, logo em seguida, fui “achada” por ele. Convidou-me pra dançar e dançamos a noite inteira. Pensei: “nossa, há tempos procuro por um cara que dança e esse, além de parecer bem humorado, dança muito”. Detalhe: foi a primeira e última vez que dançou tanto… Ficamos no baile até às 5h da manhã. Só na dança e na conversa. Nada de beijo. Até porque não sou fácil assim…
Na ida pra casa, 5h da manhã, ele convida: “vamos pegar o final da noite no Cáfé Cancun?
- Nossa! que empolgado. Mas, vamos então.
E fomos. Mais música, mais dança. Pensei: “nossa, o cara gosta mesmo de balada e de dança!”. Lá sim, rolou o primeiro beijo, já na madrugada do dia 22. Ao sair, ele disse que estava com fome. Falei que conhecia um bom lugar aberto aquela hora. Levei ele ao “Rota Lanches”, um trailer que tinha na SC-404, caminho pra Lagoa, perto da minha casa. Ele pediu um X-salada pra levar (mais tarde soube que nunca comeu o tal lanche, que era motivo pra ficarmos um pouco mais…)
Ao me deixar em casa, saindo do carro, disse-me: “tá, e como a gente se fala?”. Falei: “quer meu telefone? Te dou”. E anotei pra ele. Dois dias depois me ligou e passamos a nos ver cada vez com mais freqüência. Dali pra namoro, foi questão de pouco tempo.
Bom, essa foi uma introdução para uma história que completa 10 anos juntos – 5 de namoro e 5 de casamento neste sábado, dia 22.
Sempre me considerei uma pessoa de sorte, sempre soube que o Homem lá de cima é muito bondoso comigo, mas não posso negar que ele foi por demais generoso em colocar esta pessoa tão admirável na minha vida.
Ferla sempre foi um namorado exemplar, mas como marido ele se supera e como pai, então, é impossível descrevê-lo.
São 10 anos de relacionamento leve, de respeito, de admiração, de carinho, de amor. São 5 anos de casados, um filho maravilhoso e outro a caminho. Uma vida de sonho, de felicidade. Da qual eu jamais imaginei que seria merecedora. Esse homem a quem eu tanto amo, a cada dia me completa e me ensina que o melhor da vida está nas coisas mais simples.
Abaixo, o vídeo que marcou o início da nossa vida de casados.
Ela estudou mais, foi professora, lê e escreve bem.
Ele sempre dependente, não faz nada sem ela. Até pra ver a roupa que vai vestir, precisa dela.
Ela sempre foi mais independente. Geralmente tem solução para os problemas caseiros e sua opinião prevalece.
Ele sempre foi mais “bruto”, mas não menos generoso.
Ela sempre foi mais “pacificadora”, com tato para impedir e solucionar conflitos.
Ele sempre trabalhou muito, mas o dinheiro dele quem controla é ela. Desde sempre.
Ela trabalhou menos fora de casa, pois se aposentou após ter a segunda filha, mas em casa, toma conta de tudo e controla as finanças. Quando ele quer dinheiro para comprar bala ou arrumar o carro, tem que pedir.
Ele adora ficar em casa. Não gosta de passeios, comer fora, nem lugares diferentes.
Ela adora sair, passear, conhecer gente, lugares, novidades.
Ele dirige.
Ela não aprendeu. E agora acha que não dá mais tempo. Tá aí uma coisa pra a qual ela mais precisa dele: deslocar-se. Ele não gosta de dirigir, ela precisa. Quase sempre uma “encrenca”.
Eles têm três filhos. Ele critica se algum deles sai da linha (da linha dele). Mas se derrete quando eles lhe dão um pouco mais de atenção. Ela sempre os defende. Pra ela, os filhos são “tudo na vida” e “quase perfeitos”.
Eles adoram implicar um com o outro por nada. Só pra se divertir. E de uns tempos pra cá, acharam uma criaturinha perfeita pra “sacanear” um ao outro: o neto.
Ele diz para o neto: essa casa não é da vovó ou esse brinquedo do “Panda” é igual a vovó, tem barrigona!Ela diz para o neto: desmancha o cabelo dele, faz um topete! Ou, fala pro vovô sair daqui, diz pra ele ir dormir.
Bom, o neto se diverte e quem presencia essa “guerrinha” só consegue rir. É um amor de quase 40 anos. De cumplicidade e implicância. De generosidade e dependência. De harmonia e parceria. De companheirismo e doação. São duas pessoas com gênios diferentes, mas com almas gêmeas e corações grandiosos. Se encontraram na vida e fizeram história. São exemplos de vida, de dignidade e de amor.
Sorte a minha, pois eles são o Seo Beto e a Dona Maurina, meu pai e minha mãe.
Os jornais impressos e televisivos comentam a extraordinária vítória do “primeiro presidente negro” dos Estados Unidos.
Com uma campanha eficiente, uma oratória e carisma extraordinários, Barack Obama foi declarado ontem vitorioso ao final da campanha presidencial nos Estados Unidos.
Li muita informação a respeito deste grandioso fato que repercutiu pelo mundo. Não vou escrever sobre fatos históricos nem fazer análises políticas sobre o futuro dos Estados Unidos e a vitória de Barack Obama. Até porque, não tenho conhecimentos nem argumentos suficientes para tanto. Deixo isso para os cientistas políticos e articulistas.
Porém, assisti ontem o discurso de Obama e não posso deixar passar a emoção e sentimentos desse homem que passou a ser o líder mais importante do mundo.
Primeiramente, foi de uma grandeza o elogio que fez ao seu oponente McCain. De uma elegância invejável.
Mas o que realmente tocou foi o que ele falou sobre sua mulher, Michelle: “E eu não estaria aqui nesta noite sem o incansável apoio da minha melhor amiga nos últimos 16 anos, a pedra-angular da nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama dessa nação: Michelle Obama.” E complementou a parte “sentimental” do discurso citando as filhas, a avó que o criou com um imenso carinho e de uma senhora que fez questão de votar nele, aos 106 anos de idade.
Obama fez um belíssimo discurso, falou sobre história, sonhos e futuro. Mas o encanto da sua fala, ficou por conta da expressão dos seus sentimentos, do seu sincero agradecimento à família. Como eu, muitas outras pessoas no mundo inteiro ficaram encantadas.
Isso porque, no meio de tanto egoísmo, principalmente na política, de tanta violência, falta de valores familiares, pressa, correria, o homem que assume o cargo mais importante do mundo, falou abertamente sobre amor, sobre sentimentos. E encantou.
Pelo visto, precisamos de mais homens como Obama, com a coragem de falar de sentimento, de vida, de família, que não tenha vergonha de falar de política, de futuro, mas também falar de amor para aproximadamente 250 mil pessoas ao vivo e outras milhões que o acompanharam pelas redes de TV ao redor do mundo.
Viva sua coragem, viva a emoção, viva Barack Obama.
Há dias sofro o sofrimento de uma amiga. Disse algum poeta que “amigo é o irmão que a gente escolhe”. Pois, penso que, às vezes, amigos são mais irmãos que os próprios irmãos.
Minha amiga sofre agora uma dor dilacerante. A dor mais doída que se pode sentir. A dor da perda de um amor. Daquelas que dóem fisicamente. Daquelas que nos abalam até chorar. Daquelas em que a saudade é cortante.
Ao vê-la assim, dói em mim. Meu coração se entristece. Não posso tirar-lhe a dor que lhe aperta o peito, que lhe dói a alma. Mas divido com ela o peso da angústia e ofereço meu ombro, minhas palavras e meu silêncio.
Não conseguirei, mesmo que queira, tirar do seu coração nem uma pequena parte da dor, mas posso tentar amenizar o seu sofrimento, dar-lhe amparo.
Amiga, querida, isso passa. Se você quiser e permitir, o tempo transformará a dor em vivência; a saudade em boas lembranças. Mas, para que isso aconteça, permita-se viver este momento. Chore. Sofra. Sinta. E, depois, vire a página.