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São tantas emoções

Não é segredo pra ninguém que eu adoro aniversários. Já falei isso muitas vezes.

Gosto do dia, das pessoas que me ligam, do almoço na casa da minha mãe, dos parabéns, da curtição. Enfim, de comemorar a vida, a saúde, as pessoas que gosto e que gostam de mim.

Sem contar que é um dia de muitas emoções. É no dia do aniversário que as pessoas nos falam aquilo que gostaríamos de ouvir todos os dias. O quanto somos especial pra elas de forma muito verdadeira.

Cada ligação que recebi, cada e-mail que li, cada pessoa que abracei, me deixou ainda mais feliz. Até parabéns pelo Twitter eu recebi! Ainda hoje, 4 dias depois, logo cedinho, recebi em casa uma cesta de café da manhã!  Junto um cartão com palavras carinhosas de pessoas queridas – Ana, Ale, Carine, Carol Pinto, Carol Sá, Cinara e Leila – me emocionaram e deixaram minha semana ainda mais bela.

Uma reflexão me veio à mente: será que realmente sou tudo isso que ouvi e li? Será que sou merecedora de todo esse sentimento? Parece que sim! Mas, nunca é tarde para melhorar mais um pouquinho!

Obrigada a todas as pessoas que se manifestaram e todas aquelas que apenas lembraram. Família e amigos são a maior riqueza que podemos ter  na vida. E eu os tenho!

33 anos

Eu já fui um bebê com problemas de saúde.
Eu já deixei minha mãe em prantos por medo de me perder.
Eu fui um bebê forte que lutou pela vida.
Me tornei uma criança esperta e saudável.
Passei a ser a filha do meio.
Gostava mais das brincadeiras de menino.
Era a mais ciumenta dos filhos.
Aprendi a ler antes do tempo.
Fui matriculada numa série posterior para não atrapalhar as outras crianças.
Desde cedo gostava de ler e fazia isso muito bem em voz alta.
Era uma criança exibida na escola pelas notas altas e pela bela leitura.
Sempre fui ‘encrenqueira’. Arrumava confusão na rua, na escola, em casa.
Já quebrei o braço de uma amiguinha na escola empurrando ela da árvore.
Mas ela não queria sair do meu galho…
Quebrei também o braço da minha irmã fazendo uma experiência sobre a lei da gravidade com ela.
Curti muito minha infância na casa da minha avó.
Brinquei muito com meus primos.
Sempre gostei de bichos, especialmente cavalo e cachorro.
Já cuidei de muitos filhotes de cachorro.
Já chorei muito pelos meus cachorros que morreram.
Tive uma infância muito feliz!
 
Eu pulei a pré-adolescência e virei uma adolescente precoce.
Achava que ninguém me compreendia.
Chorei bastante. Ri muito.
Li Pollyanna Menina e Pollyanna Moça.
Me apaixonava pelos meninos e desapaixonava com a mesma intensidade.
Meu primeiro namoro foi aos 13 anos e durou 5 anos.
Fui uma adolescente romântica.
Acreditava que poderia mudar o mundo e as pessoas.
Comecei a trabalhar aos 15 anos por vontade própria.
Queria crescer e permanecer criança ao mesmo tempo.
Esse era meu maior conflito.
 
Cresci mais um pouco e virei jovem.
Continuei romântica.
Terminei o namoro e fui curtir a vida.
Festas, praia, passear na Lagoa, esses eram os melhores programas.
Tudo era curtição.
Cursei metade da faculdade de economia e completei a de direito.
Aprendi a dirigir, mas andava de ônibus.
Sem bebidas ou drogas, curti a vida numa boa.
A alegria e o bom humor foram meus melhores parceiros de “night”.
Até que um dia… o amor chegou.
Não veio num cavalo branco, como nos meus sonhos de adolescente, mas era loiro e tinha olhos claros.
Namorei muito. 5 anos depois, casei.
Tenho dois filhos que são minha melhor obra.
 
Hoje, quando completo 33 anos, vivo a melhor fase da minha vida.
A plenitude da maternidade alimenta minha alma de ternura.
O amor alimenta meu coração de paixão e contemplação.
A felicidade me acompanha a cada dia.
Parabéns pra mim! Não preciso de mais nada, desejo-me saúde para curtir o que tenho, conquistei e construí.

Figura

Meu filhote Lipe está cada dia mais figura. Crescendo, ficando esperto e engraçado.

Todo dia ele fala alguma coisa que me faz rir muito.  Algumas tenho que deixar registradas, pois ele precisa ler quando crescer.

1) Fim de semana fomos ao aniversário de um amigo da sala dele.
Estavam presentes quase todos os amiguinhos da sala, faltaram 3, que eu me lembre.
Um deles foi o João Alfredo. Ausência sentida por ele na hora.
Segunda-feira ao voltar da escola saiu com esta para o pai:
- Papí, você sabia que o João Alfredo estava no aniversário do João Pedro?
- É? Mas a gente não viu ele lá.
- A gente não viu, mas ele estava. É que ele estava vestido de ‘homem invisível’, por isso não vimos.
- Ahhhhh!!! (diz o pai rindo, e eu, então, quase chorei de rir!)
Achei que tivesse sido conversa do João Alfredo ou da professora, mas perguntei a ela ontem e me disse que não, que isso foi invenção da figurinha que habita esta casa.
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2) Fomos hoje fazer uma aula/teste experimental no Centro de Equitação. Lipe é acostumado a ouvir sobre cavalos de rodeio, inclusive já foi em alguns, tendo em vista que os tios participam de provas de laço e não perdem um rodeio na região. Sendo assim, ele acha que sempre vai ter um boi por perto para ser laçado.

Ao chegar na hípica, estava terminando uma aula na qual duas meninas montavam no estilo clássico. Eu mostrando a ele o lugar, os cavalos, comentei que a aula delas estava acabando e começaria a dele. Ele comenta:
- Como acabando, Mamí? Elas nem laçaram o boi. Não tô vendo nenhum boi aqui!

Tive que explicar que não iria aparecer nenhum boi ali. Entendeu, mas acho que ficou um pouco decepcionado…
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3) Durante a aula de equitação, o instrutor pergunta pro Lipe:
- Me conta, onde você mora?
- Eu? Hummmm, do lado da casa da minha vó.
- Ah é? Que legal! E onde sua avó mora?
- Ah! Do lado da minha casa, né?
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Ainda bem que tenho este espaço pra deixar isso registrado, senão corre-se o risco de o tempo apagar da memória.

A celebridade hoje sou eu

Sempre que me pego vendo revistas de celebridades gosto de procurar aquelas entrevistas tipo “ponto a ponto”, nas quais o entrevistador faz uma pergunta e o entrevistado responde, aparentemente de surpresa, em uma frase.

Desde criança tive alguns desejos de celebridades. Um deles era ter um arquivo confidencial da minha vida, tipo aqueles do Domingão do Faustão em que pessoas que passaram pela nossa vida deixam uma mensagem emocionante. Tá bom, pode ser brega, mas quem disse que não sou em alguns momentos? Aliás, atire a primeira pedra quem não é.

Outro desejo era responder uma entrevista ponto a ponto. Depois de muito buscar uma interessante, achei hoje uma na internet, nem lembro mais o site. Gostei, copiei e vou responder aqui, como penso que os entrevistados fazem: de surpresa, sem pensar muito.

Aí vai:

1. Que horas você acordou hoje?
Às 6h40.

2. Diamantes ou pérolas?
Diamantes.

3. Qual foi o último filme que viu no cinema?
A Festa do Garfield.

4. O que normalmente come no café da manhã?
Pão com manteiga e presunto e suco. Pão com banana - com açúcar por cima, assada no forno –  e chá verde.

 5. Qual é o seu nome do meio?
Jacinto (imaginem o quanto eu sempre adorei este sobrenome…)

6. Qual comida você não gosta?
Dobradinha.

 7. No momento, qual é o seu CD preferido?
Uma coletânea que fiz para meu marido das músicas que marcaram nossa história.

8. Que tipo de carro dirige?
Um Renault, Scenic.

 9. Sanduíche preferido?
De pão com mortadela. 

10. Que característica despreza?
Falsidade.

 11. Roupas preferidas?
As confortáveis.

12. Se pudesse ir pra qualquer lugar do mundo de férias, para onde você iria?
Fernando de Noronha.

 13. Marca preferida?
Lâncome, os melhores cremes.

 14. Onde gostaria de se aposentar?
Não gostaria de me aposentar.

15. Qual foi o seu aniversário recente mais memorável?
Todos. Adoro fazer aniversário.

 16. Esporte preferido pra assistir?
Vôlei.

 17. Quando é o seu aniversário?
20 de agosto.

18.Você é uma morning person ou uma night person?
Totalmente morning. 

19. Quanto calça?
38/ 39.

20. Animais de estimação?
Princesa – uma pastor alemão. Ully – um West Higlander Terrier. Nicinha – uma vira-lata misturada com fox paulistinha que só tem um olho.

21. Alguma novidade que gostaria de compartilhar?
Sim. A Gigi, amiguinha do Lipe vai fazer natação com ele.

 22. O que você dizia que queria ser, quando criança?
Delegada, veterinária. 

23. Como você está hoje?
Com um zumbido no ouvido, há dias…

 24. Qual é o seu doce preferido?
Torta de maçã.

 25. Qual é a sua flor preferida?
Orquídea.

 26. Por qual dia do calendário você está esperando ansiosamente?
Sempre espero ansiosamente pelo dia do meu aniversário (pra ver quem lembrou de mim…)

 28. O que você está escutando agora?
O barulho do ar quente ligado.

 29. Qual foi a última coisa que você comeu?
Torta de maçã.

 30. Você faz pedido pra estrelas?
Só pras cadentes.

 31. Se você fosse um lápis de cor, que cor seria?
Verde.

 32. Como está o tempo agora?
Frio.

 33. Última pessoa com quem você falou no telefone?
Com o homem que colocou uma aliança no meu dedo.

 34. Refrigerante preferido?
Nenhum. 

35. Restaurante preferido?
Vários. Preferencialmente japoneses e árabes. 

36. Qual era o seu brinquedo preferido quando criança?
Meu par de pernas de pau e minha bicicleta. 

37. Inverno ou verão?
Verão.  

38. Beijos ou abraços?
Ambos.

39. Chocolate ou Baunilha?
Chocolate.

 40. Café ou chá?
Chá. Não tomo café.

 41. O que tem debaixo da sua cama?
Um tapete.

 42. O que você fez na noite passada?
Tentei dormir.

 43. Do que você tem medo?
De tempestades com trovoadas e relâmpagos. Da violência. De camundongos.

44. Salgado ou doce?
Salgado, antes; doce, depois. 

45. Quantas chaves tem no seu chaveiro?
Duas.

 46. Há quanto tempo você está no seu atual emprego?
5 anos e contando.

 47. Dia preferido da semana?
Sábado. Porque ainda tem o domingo pra acabar o fim de semana.

 48. Em quantos lugares você já morou?
Dois. Na mesma cidade.  

49. Você faz amigos facilmente?
Sim.  

50. Acredita na felicidade?
Sim. Vivo com ela.

Marcos, o irmão

19 de julho. Niver do meu irmão Marcos. 35 anos.

Quase 2 anos mais velho que eu, era com ele que eu brincava todos os dias. Meu pai nunca gostou muito de “ajuntamento”, como dizia ele, e minha irmã era mais nova que eu 4 anos, o que é uma diferença considerável entre crianças, então, geralmente as brincadeiras de criança diárias eram com ele.

Foi com ele que aprendi a empinar pipa, andar de skate, andar de bicicleta com uma roda só, andar de carrinho de rolimã, de perna de pau, jogar bolinha de gude, rodar peão, de correr pela rua rodando um pneu velho de carro, usar espingarda de chumbinho, armar arapucas, usar estilingue, e outras.

Era por ele que eu brigava com os meninos da rua. Certa vez o filho de um vizinho bateu nele na escola. Depois do almoço vi que o rapaz estava sentado na frente da casa dele, que era ao lado da nossa, fui lá e dei um soco no guri pelas costas e saí correndo.

Lembro que ele se afogava com a comida às vezes e, aos 12 anos, fez uma cirurgia para retirada das amígdalas. Não recordo detalhes, só do meu sentimento de aflição e das amígdalas guardadas em um vidro com formol durante anos lá em casa.

Ele sempre foi muito sentimental, principalmente com animais. Adorava e adora bichos. Tivemos vários cachorros e já choramos muito pela morte de nossos bichos de estimação. Cuidávamos de ninhadas de cães da raça pastor alemão e vendíamos os filhotes depois. Ganhávamos um bom dinheiro! Aliás éramos bons comerciantes, até ferro velho a gente juntava e vendia.

Veio a adolescência, as brigas, as disputas. Brigávamos quase todos os dias e algumas vezes, quando o pai estava de plantão, até saíam socos e pontapés, que só cessavam quando a mãe ameaçava chamar o pai no trabalho. E o medo?

Quando começamos a sair pras festas e começaram os namorinhos, ele era o irmão mais chato da face da terra. Contava tudo pro pai e pra mãe quando chegava em casa. Ô mala! Eu não podia nem conversar com nenhum menino, ele chegava em casa e aumentava em 450 vezes a cena. Ai que raiva!

O momento mais marcante e que eu lembro com nitidez foi no final do ano de 1995, quando Florianópolis foi atingida por uma forte enchente que deixou muitos estragos. Meu irmão caiu num córrego que passava ao lado de casa. Ele saiu de lá só com arranhões, mas dias depois apresentou sintomas de leptospirose. Muitos casos apareceram na cidade na época. E os hospitais estavam lotados, além de o Hospital Universitário estar interditado por ter sido atingido pelas fortes chuvas.

Ele foi internado no Hospital Celso Ramos com suspeita da doença, que se confirmou horas depois. Não havia mais leitos no hospital. Ele ficou na emergência, numa maca, na qual seus pés ficavam de fora. Lembro até da camiseta bordô de manga comprida que ele estava usando.

Estávamos eu, a Renata, a mãe e o pai, no hospital e o médico veio falar com a gente dizendo que o caso dele era realmente a leptospirose e que não havia muito o que fazer nem o que prever, que dependeria do organismo dele reagir. Eu pedi pra entrar na emergência para vê-lo. Ele tremia dos pés à cabeça. Eu fiquei pedindo a Deus que ele reagisse o mais rápido possível pra sair dali logo e voltar pra casa. Passava a mão no rosto e falava com ele, mas ele parecia não estar consciente. E eu senti medo. Um medo enorme, frio e assustador de perdê-lo.

Saí da emergência e não chorei. Não podia, porque do lado de fora estavam o pai e a mãe. O médico informou que ninguém poderia passar a noite ao lado dele porque era sala de emergência e o hospital estava lotado. Mas não fomos embora. Resolvemos passar a noite ali, acompanhando a reação dele. Ficamos os 4 – eu, Renata, pai e mãe – num banco de madeira na entrada do hospital rezando pra ele melhorar logo.

No dia seguinte, ele acordou bem. O médico disse que ele reagiu muito bem aos medicamentos e que a fase crítica já tinha passado. Ao longo do dia ele só foi melhorando e no dia seguinte foi pra casa. Ufa! Que sensação boa! Que alívio!

Hoje almocei na casa dele. Está casado, eu também, adultos e crescidos. Cada um constituindo sua família, escrevendo uma nova etapa da história de nossas vidas. A ligação forte que temos permanece e se renova a cada encontro como o de hoje. Feliz Aniversário, irmão! Saúde pra você.

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Ser ou não ser

Meu amigo Giancarlo me desafiou a dizer aqui cinco coisas que não sou, gostaria de ser, mas me arrisco a ser.

  • Patinadora– Sonho de infância não realizado. Aprendi a fazer várias coisas quando criança, mas isso não. Até porque nunca tive um patins. Era caro na época e fiquei só com a vontade de ter. Aprendi a andar de skate, mas de patins não. Me arrisquei quando fui a Viena em 2002 e, em frente à Prefeitura, tinha um festival de patinação no gelo. Idosos e crianças deslizavam facilmente e achei que poderia fazer o mesmo. Um fiasco, mal consegui me equilibrar para tirar uma foto. 
  • Mansa – Tenho fama de brava. E é possível que seja. A começar pelo jeito de falar. Falo alto, às vezes pareço estar brigando. Queria falar doce, calma, educada. Até já tentei, mas não consigo. Vou elevando o tom de voz, gesticulando, se estiver sentada já levanto e quando vi já se foi a “mansidão”.  Será que ainda dá tempo?
  • Humilde – Tá bom, não sou humilde. Pode até ser que seja em algumas situações. Mas, aqui me refiro à humildade para aprender coisas novas. Uma das coisas que mais gosto é aprender, mas não gosto que me ensinem. Gosto de aprender sozinha. Mas, certas coisas não dá. Tenho que “baixar a guarda” e aprender com alguém. Nem sempre ser autodidata é o suficiente. 
  • Relax – Tenho mania de perfeccionismo. Me cobro muito e isso às vezes me deixa ansiosa. Principalmente com relação às coisas de casa. Quero sempre tudo arrumado, limpo e organizado. E pior, se algo sai do ritmo, me incomoda, às vezes muito. Tento sempre relaxar e já estou evoluindo, mas ainda falta um pouco para chegar aonde quero. 
  • Poliglota – É uma vergonha, mas sei tão bem a língua portuguesa e me interesso tanto por gramática e afins e não consigo dominar uma outra língua. Tenho preguiça e até uma certa dificuldade para aprender. Já fiz cursos e aulas particulares de inglês e espanhol, mas só enrolo. Me arrisco a falar, mas sempre me acho ridícula falando outra língua. Tá aí um bloqueio que me incomoda!

Pronto! Falei!

Agora convoco meus amigos Fernando Palermo, Moriael, Tossulino, Paulinha Winter e Fernanda.

Rainha do lar

Dizem que quando se é minoria feminina numa casa existem duas alternativas para a “dona da casa”: ser a empregada ou a rainha do lar.

Aqui em casa são 3 homens e eu de mulher. Por enquanto só conheço o posto de Rainha do Lar. E quem tem delimitado este meu papel é o Lipe.

Claro que uma criança repete os exemplos que têm, principalmente dentro de casa, mas ele é um galanteador, vive fazendo elogios. E sorte a minha que sou seu alvo predileto.

Conto três cenas recentes que escolhi para registro:

1) Como o Lipe não gosta de cheiros desagradáveis, principalmente quando precisa usar o banheiro, comprei no supermercado aqueles sachês que grudam na parede com uma colinha e ao apertar neutralizam o odor e deixam um cheirinho agradável.
Ele adorou, principalmente, apertar o ‘negocinho’.
Em uma das vezes em que estava junto com ele no banheiro e o cheiro não estava agradável, ele rapidamente apertou o sachê, esperou o cheirinho bom se instalar e disse:
- Que bom esse cheirinho! Boa idéia você teve quando comprou isso, hein Mamí?  Você é muito “esperta” para fazer compras!

2) Na cozinha, me vendo bater no liquidificador uma sopinha de abóbora para o jantar, Lipe me pergunta:
- O que é isso? Suco de laranja quente?
- Não, é sopa de abóbora bem delícia pra jantar.
- Hummmm! Você é “mesmo muito boa” pra fazer comidinhas, hein Mamí!

3) No dia da festa dele, arrumei ele primeiro e depois fui me arrumar no meu quarto. Ele quis ficar junto conosco. Sentou-se na poltrona e ficou observando eu me maquiar.
- O que você está fazendo?
- Maquiagem para ir na sua festa.
Ele quis acompanhar, ficou observando cada movimento meu e disse:
- Quando você terminar eu quero ver.
- Combinado!
Ao terminar, me abaixei perto dele e perguntei:
- E daí? gostou?
Ele olhou bem para cada detalhe dos meus olhos, passou a mãozinha pelo  meu rosto e disse:
- Mamí, você tá bonita! Parece uma “mulher”!

É uma figura!

Essas pequenas estorias me fazem ter a certeza de que estou no caminho certo quando todas as noites, após ditar regras e colocar limites durante o dia, faço questão de dizer-lhe o quanto é um filho querido e amado e o quanto somos felizes por tê-lo conosco.

Se uma criança cresce com elogios e reconhecimento, aprende a apreciar e elogiar. Se cresce com limites, aprende a respeitar. Uma criança só aprende aquilo que vivencia.

Príncipe Lipe

Meu príncipe Lipe hoje fez 4 anos.

Retrospectiva: em 2004 planejamos uma viagem à Costa Rica e depois de lá fomos para a Disney. Dois dias antes de embarcar, sonhei que não pude ir nas montanhas russas da Disney porque estava grávida. Dito e feito. Na Costa Rica, estava muito sonolenta e, após uma excursão ao vulcão Arenal, me senti um pouco estranha, enjoada, pesada. No dia seguinte comprei um teste de farmácia e deu positivo. Na hora, não cai a ficha, mas meu primeiro pensamento foi que seria um menino. Sempre quis ser mãe de meninos.

Dali fomos para a Disney e, conforme meu sonho, não fui nas montanhas russas nem nos brinquedos mais radicais. Comprei lá no parque Magic Kingdon a primeira roupinha para ele, os primeiros bichinhos de pelúcia, os bichinhos para brincar no banho. Tudo era pensando nele, na chegada dele. Me pegava olhando para o horizonte e sem assimilar muito o meu novo papel: de mãe.

Na viagem, sempre que tinha oportunidade, entrava na internet e ficava buscando informações sobre gravidez, bebês, cuidados, etc. Ao voltar, marquei logo um ultrassom para ver se estava tudo bem antes de contar para as pessoas. Fiz o primeiro ultrassom com 9 semanas. Como nunca tinha feito um exame desses antes, não tinha nem noção de que apenas com 9 semanas eu pudesse ouvir um coraçãozinho batendo. Foi a primeira de muitas emoções desde que ele existe. Um pequeno coração de um pequeno ser desconhecido, mas tão amado. Um coração que batia a mais de 100 pulsações por minuto e uma lágrima que corria em cada canto dos meus olhos. Lembro-me exatamente da sensação e do que pensei naquele momento: em todas as crianças indesejadas e em como nosso filho era tão desejado e tão amado, mesmo sendo apenas um projetinho de gente.

A previsão para o nascimento dele era 13 de julho. Dia 13 de junho – um mês antes – às 5h30m da manhã senti algo estranho. Como se eu estivesse fazendo xixi. Levantei, fui ao banheiro e voltei pra cama. Mais alguns minutos e percebi que a bolsa em que o bebê é envolvido havia se rompido. Fui para o banho e o Ferla ligou para a médica, que nos recomendou ir para a maternidade Carmela Dutra.

Depois de meia hora eu já estava pronta, de mala e tudo e o Ferla ainda estava decidindo se faria ou não a barba. Chegamos na maternidade por volta de 6h20m e a Dra Cristina já nos esperava. Me examinou e disse que não havia dilatação, que o recomendável era uma cesariana. Minha mãe chegou (aliás, que alívio ver minha mãe lá!) e fomos para a preparação e, em seguida, para a sala de parto. Anestesia, assepsia, oxigênio, o pai de máquina fotográfica na mão e eis que às 7h47m ele chegou! Com 3.045kg e 49cm, nasceu quietinho, sem chorar. Chorou um tempinho depois. E que choro – um som que parecia uma sinfonia para meus ouvidos. Um som que tocava meu coração e também me fazia chorar.

Levaram ele direto para a sala da pediatria, pois era prematuro. Após alguns exames e meu insistente pedido, o trouxeram para eu ver. Loiro! Cabelinhos loirinhos! Quanto amor! Todo amor que eu tinha se multiplicou milhões de vezes.

Fui pra sala de recuperação e só voltamos a nos encontrar às 11h quando, já no quarto, me trouxeram ele. No mesmo momento em que encostou em mim já começou a mamar. Não precisou de estímulo, nem de ajuda, simplesmente mamou, como se já nascesse sabendo – e sabia mesmo!

Neste momento, avós e tios já estavam por lá para conhecer o primeiro sobrinho e o primeiro neto. Meu sogro, Seo Guilherme foi o primeiro a pegá-lo no colo depois de mim e do pai e seu primeiro gesto ao segurar o neto foi fazer em seu peito o sinal da cruz.

Durante esses quatro anos, esse menino só nos traz felicidade. Descrevê-lo é impossível, faltariam palavras, mas, resumindo, posso dizer que ele é doce, terno, inteligente, meigo, gentil, galanteador, emotivo, sensível, perspicaz, teimoso, disciplinado e muito feliz.

Há pouco chegamos da sua festa de 4 anos. Ele estava radiante. Todos os familiares e muitos amiguinhos presentes. Agora dorme como um anjo que é. Ele é e feliz e alegre e isso nos enche de satisfação. Felizes também somos nós, sua familia, pela alegria que todos os dias ele nos proporciona, pelo brilho que o azul do seus olhos reluz a cada sorriso. Pelo som das suas gargalhadas. Pela vida que pulsa nessa criança iluminada. 

Obrigada meu filho amado, pela sua existência em nossas vidas. Feliz Aniversário.

Agarradinho

Lembro-me de quando era criança de um bonequinho que era uma febre: o agarradinho. Era da mesma época das ‘fofoletes’. Não tive uma ‘fofolete’, mas tive um agarradinho. Se não me engano a cor dele era verde claro.

Esse bonequinho tinha as mãozinhas juntinhas e, ao apertar atrás na engrenagem que articulava os bracinhos, ele grudava na roupa da gente e não soltava fácil. Era difícil perder um agarradinho.

Agora tenho um agarradinho aqui em casa. De carne e ossinhos. Meu Pequeno Gui, depois de ter uma laringite na semana passada que provocou tosses e mal estar, só ficava quietinho e seguro no meu colo, grudado em mim. E não é que gostou?

Já está bem bonzinho, mas gruda como um agarradinho e não quer soltar mais. Se eu saio um pouco de perto, já reclama. Se o deixo com alguém para fazer algo, ele se distrai por um tempo e já chora. Quando eu volto, me olha com uma cara de ‘cachorrinho abandonado’ que dá dó. Gruda em meus cabelos, em meu rosto, me morde com a gengiva ainda sem dentes e me cheira, cheira, cheira sem parar.

Claro que 8kg pendurados em mim quase o dia inteiro (e muitas vezes na noite) cansa muito meu corpo. Minha coluna está pedindo socorro no fim do dia. Mas é uma delícia! É algo muito gostoso ser tão querida e amada por uma criatura tão fofa, tão gostosa, tão pura, que é só emoção e instinto.

Ser mãe me faz a cada dia ser uma pessoa mais terna, paciente e muito forte fisicamente. Tem horas que penso que meu corpo não vai aguentar, mas aguenta! Acho que nasci pra isso… alguém tem dúvida?

Meu "agarradinho" me agarrando.

Cheirosa

Frio intenso. Além de ficarmos encolhidos, lábios ressecados, vontade de não sair de casa, o frio faz as crianças ficarem doentes.

O Pequeno Gui está com uma laringite desde domingo. Segunda pela manhã levei ao médico. Está fazendo inalação, tomando xarope e fazendo fisioterapia pulmonar para soltar a secreção. Dá mais trabalho, mas evita-se o uso de medicamentos fortes, como antibióticos. Prefiro esta conduta, que o médico dele segue muito bem.

Bom, resultado disso é uma noite super mal dormida. Desde ontem ele tosse muito, chega a vomitar de tanta força que faz para tossir. Sente-se inseguro e quer meu colo. Fica aconchegado, gruda no meu cabelo, agarradinho com toda a força para que ninguém o tire da quentura da mãe.

A noite passada ele acordou de hora em hora. Queria colo, aconchego. Dormi no quarto dele para “facilitar” as idas e vindas. Exausta de tanto ‘não dormir’, ainda dei remédio e fiz inalação pela madrugada adentro, sem falar nas mamadas. Eis que às 4h da manhã acorda o outro – Lipe: “Mamíiiiiiiiiiiii, onde vc está???”

Com o Papí viajando, um no colo, falei pra ele:
- Tô aqui no quarto do Gui, volta pra cama que eu já vou.
- Não!  Quero uma ‘deda colorida’ (o leitinho!).

Lá fui eu. Deixei o pequeno no berço, fiz a mamadeira, dei pra ele, deitei um pouco junto, mas nada do danado dormir. Voltei pro quarto do pequeno e disse: “fica aí que tá muito frio! eu já volto.”

Dois minutos depois: – Mamíiiii, vem aqui.
- Já vou menino!

Ele não esperou e foi pro quarto do Pequeno. Deitou na cama que eu estava dormindo e ficou ali com os olhos abertos até o irmãozinho dormir.  E disse: “Ele já dormiu, agora vamos pra minha cama, né?”

Lá fomos nós. Deitei ao lado dele e falei: “Meu amor, a Mamí está muito cansada, vamos dormir logo agora, tá?”
- Tá bom.

Dois minutos depois: “Mamí?”
- Que foi, Lipe??
- Meu nariz tá trancado!

Levantei eu pela enésima vez, peguei o remédio e coloquei no nariz dele. Deitei novamente e não aguentava mais de tanto sono e cansaço, torci para que nenhum dos dois fizesse nenhum barulho. Olhei no relógio e já eram 5h15. Meu Deus! O dia amanhecendo e eu não dormi nada. Meu corpo tava pesado. A cabeça nem virava pro lado. Lipe se mexeu, grudou em mim, e mais uma vez: “Mamí???”

Quando eu ia quase chorar de desespero pensando que ele queria mais alguma coisa que eu tivesse que levantar, respondi:
- O que foi agora Lipe?
- É que você está cheirosa, Mamí!

Cadê o cansaço? O sono? A exaustão? Foi tudo embora, foram substituídos pela satisfação, pelo amor, pela ternura de ouvir isso desse filho querido, amado e galanteador. Se ele quisesse, eu levantaria aquela hora e faria o bolo de cenoura que ele tanto gosta. Podia pedir qualquer coisa aquela hora que eu faria pra ele, mas não. Ele só se encostou um pouquinho mais em mim e dormiu, feito um anjo que é. Não fiz na madrugada, mas acabei de tirar do forno o bolo favorito dele.

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