Demorei, eu sei. Mas o motivo da minha demora é justamente o tema deste post.
Fim de semana retrasado, Lipe começou a sentir uma febre. Sábado e domingo meio ‘caidinho’. Segunda ainda um pouco de febre, não foi pra escola. Na terça ficou melhor, foi pra escola e, aparentemente, foi um resfriado. Mas me ligaram no meio da tarde pra buscá-lo, pois não estava bem. Liguei pro pediatra que me mandou levá-lo na terça pra examinar. Ferla viajando, passei a noite preocupada com ele. Acordou pedindo pra esquentá-lo porque estava com frio.
Levei cedo no médico. Examinou, pediu um exame de urina e um Raio-x. Inventei uma estorinha engraçada pra fazer xixi no potinho e outra pra tirar foto das “costelas”. Peguei o resultado na hora e, pra minha surpresa e tristeza: pneumonia! Fiquei meio sem reação enquanto voltava pro pediatra pra mostrar o exame. Afinal, em função da onda da gripe suína, a pneumonia tornou-se tema assustador.
Desde que nasceu, o Lipe nunca precisou de remédios tipo ‘anti’ (inflamatórios ou bióticos). Mas, dessa vez não teve jeito. Pneumonia é originada por uma bactéria e ela precisa ser exterminada. E só com antibióticos. Levei-o pra casa e comecei a medicação.
Ainda meio assustada, cansada, um pouco triste, pois mãe tem dessas de se achar culpada quando o filho adoece, senti o pequeno um pouco quente na tarde de quarta. Pensei que pudesse ser psicológico, pois o irmão estava caidinho e a mãe estressada. No dia seguinte a febre continuou e lá fui eu mais uma vez pro pediatra, desta vez com outro paciente.
Após examinar, o médico desconfiou de uma amigdalite, mas pediu pra monitorar a febre e voltar no dia seguinte. Voltei, novamente com febre e caidinho. Não tinha dormido nada a noite toda – nem ele, nem eu. Após novo exame, o médico desconfiou que pudesse ser também pneumonia, já que o irmão estava com esse diagnóstico. Pediu radiografia do pulmão.
Pro mais velho, a estorinha da foto das costelas funcionou, mas e pro pequeno? Será que havia uma forma especial de radiografar ou era naquela maca gelada e fria de aço? Fui pra clínica de radiografia com ele ardendo em febre. Ambos cansados e chateados – ele e eu. O atendimento foi péssimo – atendentes conversando com a clínica cheia, a moça que me atendeu dizendo que não poderiam dar o laudo pra mim na hora conforme pedido do pediatra, a demora pra chamarem pro exame.
Como se não bastasse, não havia forma especial para radiografar bebês. Tive que colocá-lo deitado naquela maca fria e dura, ele quente e choroso, e ainda tive que segurá-lo com os dois braços pra trás. Ele chorava e me olhava pedindo socorro. E o socorro que eu poderia lhe dar naquele momento era apenas segurar seus bracinhos. Após a tortura, ele ficou soluçando no meu colo por uns 5 minutos. Até que veio o radiologista avisar que precisaria fazer tudo de novo porque a radiografia não tinha ficado boa. Diante disso, não foi só o meu pequeno que chorou, eu não contive minhas lágrimas.
Depois de muito insistir me deram o laudo e voltei pra clínica. O pediatra examinou a radiografia e o laudo. Não estavam em sintonia. O médico que deu o laudo o fez errado. O menino estava com pneumonia também e um documento errado poderia tê-lo mandado pra casa sem a medicação correta se o pediatra não estivesse atento. Quanto stress!
Fomos pra casa e comecei também o tratamento com antibióticos. Porém, a reação deste foi bem diferente da do mais velho. Para o pequeno o antibiótico foi como veneno para o estômago. Não dormiu o fim de semana todo com queimação e azia, choroso, nem a mamadeira de leite conseguiu tomar. Ontem, liguei pro pediatra que sugeriu suspender o tratamento e começar outro remédio para ‘arrumar’ o estrago causado pelo antibiótico no aparelho digestivo. Hoje está melhor e já consegue tomar um pouco de leite na mamadeira, mas ainda sente a queimação e joga a cabecinha pra trás tentando aliviar a dor.
Não preciso nem dizer o quanto a semana que passou foi dura pra nós e exaustiva pra mim. Quando era criança e tinha alguma dor ou me machucava e chorava, minha mãe dizia: “preferia que fosse comigo”.
Hoje entendo perfeitamente o que ela sentia: quando a dor é no filho, dói muito mais do que se fosse na gente. Repito a frase dela: “preferia que fosse comigo”.